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segunda-feira, 16 de maio de 2011

O ÚNICO PATRMÔNIO QUE NINGUÉM TIRA DO SER HUMANO É O CONHECIMENTO

Depoimento de Lázaro Ramos no Educar para Crescer

O ator conta que que a Educação lhe ajudou a estar sempre atento e curioso

Na escola, Lázaro Ramos descobriu estratégias para lidar com as mais diversas dificuldades

Gosto muito de falar uma frase pois ela é uma certeza para mim: o único patrimônio que ninguém tira do ser humano é o conhecimento. Por isso, a escola é tão importante. Estudei em colégio particular e também em público e lá descobri o prazer da leitura, aprendi a compartilhar alegrias e descobri estratégias para lidar com as mais diversas dificuldades.

A Educação escolar agregada com a dada pela minha família me deixou preparado para enfrentar o mundo fora dos muros da escola e do quintal de casa. Na escola eu também descobri as minhas possibilidades por causa de educadores tão apaixonados pelo que faziam.

A Educação me deu preparação para o mercado de trabalho. Me ajudou a descobrir o meu talento e acima de tudo me ensinou a estar sempre atento e curioso.

Lázaro Ramos é ator e cineasta. Atuialmente está no ar na novela Insensato Coração, da TV Globo

 

domingo, 23 de janeiro de 2011

A leitura, uma notável atividade neurológica

Por Roney Cytrynowicz
Um estranho problema vivido pelo escritor canadense Howard Engel, autor de livros cujo personagem principal é o detetive Benny Cooperman, levou o médico e escritor Oliver Sacks a escrever um intrigante ensaio sobre a leitura em “Um homem de letras” (O olhar da mente, Companhia das Letras). Certo dia em 2002, Engel acordou, pegou o jornal que parecia o mesmo de sempre, mas logo percebeu que não conseguia ler uma única palavra.
Em uma carta que enviou a Sacks, ele descreveu sua dificuldade: “Eu podia ver que as letras que o compunham eram as 26 letras do alfabeto inglês com as quais eu estava habituado. Só que agora, quando eu as focalizava, ora pareciam cirílico, ora coreano”. Na primeira avaliação neurológica, constatou-se que Engel estava também com outros problemas visuais: dificuldade para reconhecer cores, rostos e objetos comuns. A impossibilidade de ler era desesperadora: sua vida, seu trabalho e sua identidade estavam ligados à leitura e à escrita de narrativas elaboradas de crimes e investigações.
Mas, para seu espanto, Engel descobriu que podia escrever perfeitamente, embora não conseguisse ler o que ele próprio escrevia. O que ele tinha era uma “alexia sem agrafia”, uma cegueira para palavras. Ora, ler e escrever andam juntos; como é que ele podia perder uma coisa e não a outra?, pergunta-se Sacks, explicando que concebemos a leitura como um ato contínuo e indivisível, e quando lemos prestamos atenção ao significado e talvez à beleza da linguagem escrita, inconscientes dos muitos processos que a possibilitam. Só quando encontramos um problema como a alexia é que percebemos que a leitura, na verdade, depende de toda uma hierarquia ou cascata de processos que pode ser interrompida em qualquer ponto.
Em todos os seus livros, Sacks parte de um caso médico, uma história real, para escrever um ensaio que é ao mesmo tempo um texto científico que pode ser lido por leigos, uma reflexão sobre a condição humana (em seus aspectos naturais e culturais, sem qualquer reducionismo biológico) e um conto literário sobre um caso\personagem que busca conhecer e expandir as incríveis capacidades que as pessoas têm de encontrar caminhos para conviver com dificuldades impostas por limitações neurológicas (entre seus livros mais conhecidos estão O homem que confundiu sua mulher com um chapéu e Um antropólogo em Marte; sua autobiografia, Tio Tungstênio, e A ilha dos daltônicos são também imperdíveis).
No caso do escritor canadense, Sacks investiga os processos neurológicos do ato de ler: “A leitura, evidentemente, não termina com o reconhecimento das formas visuais das palavras. Seria mais exato dizer que é nesse momento que ela começa”. A linguagem escrita destina-se a comunicar o som das palavras e seu significado e esta atividade cerebral tem conexões com as áreas cerebrais da audição e da fala, com as áreas intelectuais e executivas e com as áreas úteis à memória e à emoção.
Em princípio, a opção que parecia se apresentar a Engel era depender da leitura de outra pessoa ou de áudio-livros, mas ele não queria isso, porque envolveria uma “mudança radical na visualidade da leitura, da aparência das palavras na página para um modo de percepção essencialmente auditivo – na verdade, ouvir em vez de ler e, talvez, falar em vez de escrever. Seria isso desejável, ou mesmo possível?”. E Engel, como escritor, queria voltar a ler.
Ao examinar pessoas em geral e pacientes com alexia, Sacks explica que existe nos seres humanos letrados um “hemisfério da linguagem, um sistema neuronal potencialmente disponível para o reconhecimento de letras e palavras (e talvez outras formas de notação visual – matemática ou música, por exemplo)”, o que introduz uma pergunta intrigante: por que todos os seres humanos têm esse equipamento inato para ler se a leitura é uma invenção cultural recente, se a escrita surgiu há pouco mais de 5 mil anos, evidentemente tempo curto para que tenha sido um processo de evolução por seleção natural? “Embora a área de formação visual das palavras no cérebro humano pareça ser primorosamente sintonizada com o ato de ler, não pode ter evoluído especificamente para tal propósito”, pondera Sacks.
A resposta é fascinante: “Todos nós vivemos em um mundo de visões, sons e outros estímulos, e nossa sobrevivência depende de fazermos uma rápida e acurada interpretação deles. Compreender o mundo à nossa volta tem de ser algo baseado em algum tipo de sistema, algum modo rápido e certeiro de analisar o ambiente. Embora ver objetos, defini-los visualmente, pareça ser instantâneo e inato, constitui na verdade uma tremenda façanha perceptual que requer toda uma hierarquia de funções. Não vemos os objetos como tais; vemos formas, superfícies, contornos e fronteiras, que se apresentam em diferentes luminosidades ou contextos e mudam de perspectiva quando se movimentam ou quando nos movimentamos.”
Desse caos visual complexo e mutável é necessário extrair invariantes que permitam inferir a qualidade do objeto. Não seria econômico supor que existem representações individuais (engramas) para cada um dos bilhões de objetos ao nosso redor. A capacidade de combinação precisa ser convocada e precisamos de um conjunto finito ou vocabulário de formas que possa ser combinado de um número infinito de modos, assim com as 26 letras do alfabeto podem ser reunidas (sob determinadas regras) para formar quantas palavras ou sentenças forem necessárias a uma língua.
Talvez alguns objetos possam ser reconhecidos logo que nascemos ou pouco depois, por exemplo, os rostos, escreve Sacks. Fora esses, porém, o mundo dos objetos precisa ser aprendido por meio de experiência e atividade: olhando, tocando, manuseando, correlacionando as impressões dadas pelos objetos com a aparência deles: “O reconhecimento visual de objetos depende dos milhões de neurônios do córtex inferotemporal, e nessa área a função neuronal é muito plástica, aberta e altamente responsiva a experiência e treinamento, à educação. Os neurônios inferotemporais evoluíram em função do reconhecimento visual geral, mas podem ser recrutados para outros propósitos – mais notavelmente, a leitura”.
Isto é facilitado pelo fato de que os sistemas de escrita parecem ter em comum certas características topológicas com o ambiente, características que nosso cérebro evoluiu para decodificar. A análise de mais de uma centena de sistemas de escrita, incluindo ideogramas chineses, mostrou que mesmo sendo geometricamente muito diferentes, têm em comum semelhanças topológicas básicas, e foram constadas invariantes topológicas semelhantes em um conjunto de cenários naturais.
Tudo isso não quer dizer que, mesmo durante a curta vida de um indivíduo ou de uma sociedade, desenvolvimentos culturais e individuais, selecionando pela experiência, podem se dar em uma escala de tempo infinitamente mais rápida do que o da evolução. Quanto ao escritor Howard Engel, após muitos meses, ele aprendeu um complexo sistema de escrita e leitura, que incluía várias estratégias e o apoio de um revisor que lia os textos, o que lhe permitiu continuar a escrever, baseado em sua experiência e no mundo que passara a ser seu cotidiano, publicando Memory Book (Livro da memória), em 2005, e The man who forgot how to read (O homem que esqueceu como ler) em 2007. Ambos tendo o detetive Benny Cooperman como personagem principal.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Escrever à mão e ler livros físicos facilita aprendizagem

Pesquisadores da Universidade de Stavanger, na Noruega, descobriram que o ato de escrever a mão fortalece o processo de aprendizagem. Segundo eles digitar textos no teclado e ler livros em telas prejudicam a assimilação do conteúdo.

“O processo de leitura e escrita envolve uma série de sentidos. Ao escrever à mão, nosso cérebro recebe um feedback de nossas ações motoras, juntamente com a sensação de tocar em um lápis e papel. Esse tipo de resposta é significativamente diferente daquele que recebemos quando tocamos e digitamos em um teclado”.


Segundo matéria do Estadão a professora Anne Mangen, do Centro de Leitura e o neurofisiologista Jean-Luc Velay, da Universidade de Marselha, França,  escreveram um artigo publicado no periódico Advances in Haptics. Onde examinaram uma pesquisa que confirma a importância dessas diferenças.

Um experimento realizado pela equipe de Velay estabelece que diferentes partes do cérebro são ativadas quando lemos as letras pela escrita daquelas estimuladas quando reconhecemos as letras por meio da digitação em um teclado. Ao escrever à mão, os movimentos envolvidos deixam uma memória motora na parte sensório-motora do cérebro, o que nos ajuda a identificar as letras. Isso implica uma conexão entre a leitura e a escrita, e sugere que o sistema sensório-motor desempenha um papel no processo de reconhecimento visual durante a leitura, explica Anne.

Outros experimentos indicam que a Área de Broca (parte do cérebro responsável pelo processamento da linguagem, produção da fala e compreensão) é perceptivelmente mais ativada quando lemos um verbo que está ligado a uma atividade física, em comparação com a leitura de um verbo abstrato ou de um verbo que não está associado a nenhuma ação.

"Isso também acontece quando você observa alguém fazendo alguma coisa. Você não precisa fazer nada. A audição ou visão de uma atividade é muitas vezes suficiente. Pode até ser bastante para observar uma ferramenta conhecida e associá-la a uma atividade física", diz a pesquisadora.
"Pelo fato de a escrita à mão demorar mais que digitar em um teclado, o aspecto temporal também pode influenciar no processo de aprendizagem", acrescenta.

Anne cita um experimento que envolveu dois grupos de adultos, no qual os participantes receberam a tarefa de aprender a escrever em um alfabeto desconhecido, composto por cerca de vinte letras. Um dos grupos foi ensinado a escrever à mão, enquanto o outro usava um teclado. Depois de semanas, a lembrança dos voluntários sobre essas letras e a agilidade deles para distinguir as letras normais das invertidas foram testadas.

Aqueles que haviam aprendido as letras pela escrita tiveram melhor proveito em todos os testes. Além disso, exames de ressonância magnética indicaram uma ativação da Área de Broca nesse grupo. Entre aqueles que tinham aprendido pela digitação, houve ativação de poucas partes dessa área ou nenhuma.
"O componente sensório-motor é parte integrante da formação de iniciantes, e em especial de pessoas com dificuldades de aprendizagem. Mas ainda há pouca consciência e compreensão da importância da escrita para esse processo", diz Anne.

"Nossos corpos são projetados para interagir com o mundo que nos rodeia. Somos seres vivos, voltados para o uso de objetos físicos - sejam eles um livro, um teclado ou uma caneta - a fim de executar determinadas tarefas", completa.

Fonte: Estadão.com.br
 

domingo, 9 de janeiro de 2011

Agentes de Leitura


PROCESSO SELETIVO PARA FORMAÇÃO DE AGENTES DE LEITURA DO
PROGRAMA MAIS CULTURA NO ESTADO DA BAHIA
EDITAL Nº 03/2010



 

A Secretaria de Cultura da Bahia, através da Fundação Pedro Calmon, em parceria com o Programa Mais Cultura, do Ministério da Cultura - MinC, lançou no  dia 10 de dezembro, o edital para formação de agentes de leitura, que atuarão em Salvador e mais 47 municípios baianos. O edital selecionará 572 jovens, com idade entre 18 e 29 anos, com ensino médio completo, para atuarem na democratização do acesso ao livro, por meio de visitas domiciliares, empréstimos de livros, rodas de leitura, contação de histórias, criação de clubes de leitura e saraus literários abertos para as comunidades. As localidades onde os agentes atuarão são aquelas identificadas segundo critérios de baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), definido pela Unesco/ONU, e de baixo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), definido pelo Ministério da Educação.   Cada agente de leitura receberá um kit contendo 100 livros, uma mochila, uniforme, uma bicicleta e uma bolsa complementação de renda no valor mensal de R$ 350,00 (trezentos e cinqüenta reais) durante o período de um ano, além da capacitação de 196 horas/aulas. Com dedicação de 25 horas semanais, atendendo a 25 famílias beneficiadas pelo Programa Bolsa Família, desenvolvendo atividades de mediadores literários, os agentes de leitura estarão integrados às bibliotecas públicas municipais, escolares, bem como aos Pontos de Leitura e Pontos de Cultura.    As bolsas serão prioritariamente destinadas às pessoas que estejam enquadradas abaixo da linha de pobreza. O processo seletivo consistirá de análise documental de caráter eliminatório, prova escrita e oral de caráter eliminatório e classificatório, análise curricular e entrevista de caráter classificatório.   As inscrições serão gratuitas e encerram-se em 31 de janeiro de 2011.

Para  maiores informações e inscrições: http://www.fpc.ba.gov.br/node/1031