sexta-feira, 25 de março de 2011

A IMPORTÂNCIA DA LEITURA

Fonte: Estadão

Imagine uma sala com prateleiras e estantes repletas de livros de todos os tipos: romances, poesias, crônicas, contos, ensaios, dicionários e enciclopédias. No centro, uma mesa de estudos, onde um aluno faz sua lição de casa. Nos lares brasileiros, essa cena ainda é rara: somos o país onde as crianças têm menos livros em casa. É o que mostra um levantamento inédito do Movimento Todos Pela Educação, com base no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) de 2010, que analisou 65 países. Cerca de 39% dos estudantes brasileiros declararam possuir, no máximo, dez obras literárias.

A pesquisa mostra ainda que jovens que convivem com livros em casa apresentaram um desempenho melhor nas provas do programa.

Tiago Queiroz/AE
Hábito. Michelle la Marck, de 14 anos, foge dos resumos e busca sempre a íntegra das obras; ela recebeu na escola um certificado de quem alugou mais livros

Com obras na estante, nota aumenta em até 17%

Estudo do Todos Pela Educação mostra que a quantidade de livros em casa acompanha uma melhora no desempenho no Pisa

 

“Um leitor crítico tem mais potencial na escola, especialmente nas disciplinas de ciências humanas. Um exemplo é o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem): se não souber interpretar o texto, não adianta saber o conceito”, opina Luiz Chinan, presidente do Instituto Canal do Livro.

Para tornar as obras atraentes, as escolas investem em diversas iniciativas. No Colégio São Domingos, na zona oeste paulistana, por exemplo, os alunos fazem viagens à terra natal dos autores. Cordisburgo, no norte de Minas Gerais onde nasceu Guimarães Rosa, e o sul da Bahia, onde Jorge Amado ambientou suas histórias, são destinos certos. “O livro tem de fazer sentido. Só assim o aluno se interessa de verdade”, afirma o diretor Silvio Barini Pinto.

Promover a interdisciplinaridade, relacionando literatura com geografia e história, e trabalhar parcerias com as famílias são outros recursos explorados pelas escolas. “Com o repertório mais amplo, o aluno transporta conhecimento para sua vida escolar e para o mundo, contribuindo como cidadão”, conta Gisele Magnossão, diretora pedagógica do Colégio Albert Sabin.

Resultados. Os alunos que leem por prazer afirmam que é nítido o impacto positivo do hábito na vida escolar. Eliakim Ferreira Oliveira, de 15 anos, atribui sua conquista - uma bolsa no colégio Santa Maria - ao “vício” em livros. Ex-aluno da rede pública, ele se destacou por seu desempenho e conseguiu a vaga na escola, uma das melhores de São Paulo segundo o Enem. 

“Ler bastante foi crucial na minha vida”, diz ele, que leu A Evolução da Física, de Albert Einstein e Leopold Infeld, aos 9 anos. Entre os autores que já leu estão Friedrich Nietzsche, James Joyce, John Keats e até Dan Brown (O Código da Vinci).

Brasil: baixa posição
A média do País no Pisa subiu 33 pontos entre 2000 e 2009. Mas o Brasil ainda figura no 53º lugar entre 65 países e a maioria dos alunos não passou do primeiro dos seis níveis de conhecimento. 

PRESTE ATENÇÃO
1.Ler histórias com os filhos em casa é uma das principais dicas dos especialistas para despertar o interesse por livros nas crianças.

2.Os pais devem acompanhar, em parceria com a escola, como está a leitura dos filhos. Para isso, o contato com os professores é essencial.

3.Levar as crianças para visitar livrarias é uma boa opção. Presenteá-las com livros também é uma prática indicada pelos educadores.

4.Passeios por bibliotecas, públicas ou privadas, também ajudam a despertar o interesse. A escola deve estimular e pode acompanhar a ida.

5.Estimular a comunicação escrita com os filhos, por meio de bilhetes e e-mails, também é um modo de influenciar a criança a ler.

6.Além de livros, vale a pena incentivar as crianças a ler de tudo: jornais, revistas, gibis e até folhetos. Assim elas se sentem “parte do mundo”.

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Nota:
As escolas, em sua maioria, não formam leitores, talvez por não estarem preparadas para trabalhar com a literatura de forma prazerosa e desvinculada de uma atividade didática, compulsória, com o intuito de tão somente avaliar o aluno, afastando-o ainda mais do livros. Porém, a escola ainda é o principal canal a quem é confiada a tarefa de iniciar a criança no mundo plural e infinito da leitura, e, quando esse trabalho de base não é realizado satisfatoriamente, fica ainda mais difícil depois.
Quanto aos pais, não digo que deveria ser sua a responsabilidade, mas digo sim ,que deveria ser seu maior prazer. Satisfação em revelar para o filho o mundo maravilhoso dos livros., aguçar sua imaginação, sua curiosidade e criatividade. Vejamos o que a professora Marisa Lajolo diz:

Ninguém nasce sabendo ler: aprende-se a ler à medida que se vive. Se, geralmente, se aprende a ler livros nos bancos da escola, outras leituras se aprendem por aí, na chamada escola da vida: a leitura do vôo das arribações que indica a seca - como sabe quem lê ‘Vidas Secas’, de Graciliano Ramos - independe da aprendizagem formal e se perfaz na interação cotidiana com o mundo das coisas e dos outros. Como entre tais coisas e tais outros se incluem também livros e leitores, fecha-se o círculo: lê-se para entender o mundo, para viver melhor.

Em nossa cultura, quanto mais abrangente a concepção de mundo e de vida, mais intensamente se lê, numa espiral quase sem fim, que pode e deve começar na escola, mas não pode (nem costuma) encerrar-se nela. Do mundo da leitura a leitura do mundo, o trajeto se cumpre sempre, refazendo-se, inclusive, por um vice-versa que transforma a leitura em prática circular e infinita. Como fonte de prazer e de sabedoria, a leitura não esgota seu poder de sedução nos estreitos círculos da escola. (LAJOLO, M. Do mundo da leitura para a leitura do mundo. São Paulo: Ática, 1999)

A BOLA E O LIVRO

Por Galeno Amorim
O sonho de Edward era ser jogador de futebol. Começaria, por certo, no seu glorioso Mirassol Futebol Clube e, depois, quem sabe, poderia jogar num time grande. Ou mesmo virar ídolo do escrete nacional... Sonho, enfim, era o que não faltava.

E por falta de treino é que não lhe escaparia a chance. Todo santo dia ele e um bando de garotos sem eira nem beira praticavam com fervor quase religioso, rumo à glória praticamente certa.

Naquela metade de século 20, este era o sonho dele e de milhões de Edwards pelo ainda não País do futebol.

E, de certa forma, não deixa de ser verdade que foi graças ao futebol - ou, melhor, a uma partida de futebol - que a vida começou a dar uma guinada pra ele. Tudo começou naquele dia em que Edward, menino de não mais do que oito anos, participava de uma disputadíssima pelada no pátio da escola.

Até que em determinada altura da peleja um perna de pau qualquer dá um tremendo chutão. A bola vai parar lá longe. Escalado pra resgatar a preciosa, que se enfiara por uma maldita janela aberta, lá foi o jogador agora travestido de gandula.

E o que viu, do outro lado, chamou a atenção de Edward. E tanto que ele jamais voltou para terminar a partida.

Nunca aquele menino havia visto tanto livro junto. Aquilo, ele que não era bobo nem nada logo percebeu, era uma biblioteca. E, justo naquela hora, chegava à escola uma penca de livros novinhos em folha.

Edward pegou um deles por acaso - o título da obra era "A Banana que Comeu o Macaco", disso jamais ele se esqueceria pelo resto de sua vida. Em um ano, Edward leria nada menos do que 250 livros.

Aos poucos, também já escrevia melhor. Um dia, o professor mandou, sem que ele soubesse, um texto de sua autoria para participar de um concurso. E não é que o rapazote faturou o primeiro lugar?!

Edward passou a gostar cada vez mais dessa história de leitura. Abiscoitou um outro prêmio aqui, outro lá, e até passou a ganhar algum dinheiro com isso.

Um dia foi prestar concurso para o Banco do Brasil, disputado quase a tapa por jovens interessados numa carreira estável e respeitada. Só que, na hora da prova, ele tirou foi um belo dum zero em Contabilidade. Graças aos livros que se habituara a ler, conseguiu livrar a cara, com nota dez em todas as outras matérias.

De novo os livros mudariam o rumo de sua vida: um dia Edward corrigiu, sem qualquer pretensão, a professora do Cursinho. Sua argumentação era tão consistente que a escola não teve dúvidas: demitiu a professora e contratou o aluno no lugar dela.

Para dar conta das aulas de Latim na faculdade, o moço foi buscar ajuda em um sebo paulistano. Como o dinheiro era curto, fez vários resumos. Quando se deu conta, já tinha escrito seu próprio livro - o primeiro de uma longa série ainda por vir.

Edward e os livros pareciam mesmo fadados uns ao outro. E decidiu ir de vez atrás deles e abraçar a carreira de linguista. Acabou ficando famoso. Hoje em dia, não há faculdade de Letras no País que não estude ou não tenha como referência pelo menos uma obra de Semiótica e Linguística do professor Edward Lopes.

- A arte é eterna, mas a Ciência, não... - ele ensina.

A seleção brasileira de futebol pode ter perdido um talento incerto. Mas o País acabaria por ganhar um tarimbado craque das letras.

AS VÁRIAS FACES DE PESSOA

PublishNews
Advogado pernambucano escreve livro sobre as muitas personas assumidas por Pessoa



Fruto de dez anos de pesquisas sobre o poeta português, Fernando Pessoa: Uma quase autobiografia (Record, 736 pp., R$ 79,90), escrito pelo advogado pernambucano José Paulo Cavalcanti Filho, traz a referência das muitas personas assumidas por Pessoa ao longo de sua carreira literária. Seus heterônimos, muitos deles desconhecidos do grande público, revelam-se no livro com detalhes, apresentando a produção e as origens de cada um desses que habitaram o imaginário e a escrita do poeta. Mergulhado na vida do português, Cavalcanti foi compreendendo melhor aquele homem inquieto, suas angústias e a dimensão de sua obra. Em Lisboa, converso
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u com pessoas que o conheceram, tocou papéis escritos por ele e visitou as casas onde morou.

domingo, 20 de março de 2011

ESPERANDO A QUARTA-FEIRA DE CINZAS...

Enquanto o mundo volvia os olhos para o terremoto no Japão, os brasileiros, e sobretudo, os baianos (detentor do título de maior festa de rua do mundo), estavam entretidos na festa da carne.

Veja o vídeo, corajoso e oportuno da repórter paraibana, Rachel Sheherazade sobre sua idignação quanto ao carnaval. E nós que não vamos a estas festas, ficamos refém em nossa própria casa, sem poder sair e sermos massacrados pela multidão, ou se refugiar em outros lugares.

Sinais do fim – todos de uma vez

 Por Michelson Borges

Quando são mencionados os sinais da volta de Jesus, algumas pessoas respondem mais ou menos assim: “Terremotos, fome e violência sempre existiram.” É verdade, muitas dessas mazelas sempre existiram, desde que Adão e Eva foram expulsos do paraíso após desobedecerem a Deus. Ao que tudo indica, terremotos são efeitos secundários do dilúvio, que causou a fragmentação da crosta terrestre em grandes placas mais ou menos instáveis. O que muitos não estão se dando conta é da intensidade e ocorrência simultânea de todos os sinais numa mesma época. É como as dores do parto que vão se tornando mais intensas e sentidas a intervalos cada vez menores à medida que vai chegando o momento de dar à luz. Jesus breve voltará para dar fim à história de pecado e para enxugar dos olhos toda a lágrima (Ap 21:4).

A Revista do Ancião (CPB) de abril-junho de 2011 traz um esboço de sermão interessante preparado por Frank Breaden, da Austrália. O título é “Dez Grandes Sinais da Volta de Jesus”. Confira a lista:

1. O sinal dos “escarnecedores” (2Pe 3:3, 4). Pedro anunciou que as condições prevalecentes nos “últimos dias” seriam de descrença a respeito dos sinais da vinda de Cristo. Sem dúvida, isso é verdade hoje. Cada escarnecedor moderno é um sinal que fala e se move. O cristão pode dizer ao escarnecedor: “Amigo, Pedro fez uma predição a seu respeito. Você é um dos últimos sinais que estou vendo!”

2. O sinal da “guerra” (Mt 24:6, 7). O século 20 testemunhou as duas maiores guerras da história (1914-1918; 1939-1945). No total, mais de 70 milhões de pessoas morreram, ficaram feridas ou desapareceram). O século 20 foi o mais sangrento já registrado. [E as guerras continuam...]

3. O sinal da “fome” (Mt 24:7). Os últimos cem anos testemunharam quatro das maiores fomes de toda a história (Rússia 1921, 1933; China 1928-1930; Bangladesh 1943-1944. Estima-se que cerca de 20 milhões de pessoas morreram). [Leia mais aqui.]

4. O sinal da “pestilência” (Mt 24:7). O século passado testemunhou também uma das maiores pestilências de toda a sua história (“Gripe Espanhola” de 1918. Estima-se 21 milhões de vítimas). [Isso sem contar o iminente risco da superbactéria.]

5. O sinal dos “terremotos” (Mt 24:7). O último século ainda testemunhou dois dos maiores terremotos da história (China, 1920, 180 mil mortos; Japão, 1923. Total de feridos 1,5 milhão, dos quais 200 mil morreram). O terremoto no Japão foi descrito na ocasião como a “maior catástrofe desde o dilúvio”. [Faltou mencionar os terríveis terremotos do Haiti, no ano passado, e o quarto maior terremoto da história, ocorrido neste mês, no Japão, com intensidade máxima de 9 graus na escala Richter.]

6. O sinal dos “tempos difíceis” (2Tm 3:1-3). A despeito dos equipamentos mais engenhosos e caros para combater o crime, a violência, assassinato, roubo e estupro, estes estão aumentando em proporções alarmantes. Os governos podem restringir, mas não eliminar esses problemas.

7. O sinal do “temor” (Lc 21:25-26). Desde o advento da bomba nuclear, nosso sonho de paz e segurança se transformou em terrível pesadelo, quando o grande conhecimento que os seres humanos adquiriram deveria lhes garantir segurança. [O terrorismo crescente também gera medo.]

8. Sinal dos “Dias de Noé” (Mt 24:37-39). Nos dias de Noé, o avanço e grande conhecimento da civilização foram ofuscados pela violência desenfreada e pela escandalosa imoralidade. O mesmo ocorre hoje. [Mundo torto.]

9. O sinal do “evangelho” (Mt 24:14). Durante os últimos anos, por meio da página impressa, da internet, rádio e televisão, a pregação do evangelho em escala mundial se tornou uma possibilidade real. Um único homem pode atingir uma audiência de dezenas e mesmo centenas de milhões de pessoas! A Bíblia está traduzida em mais de 1.300 línguas e é distribuída a uma média de 100 milhões de cópias por ano.

10. O sinal “estas coisas” (Lc 21:28-32). Quando confrontadas com a impressiva relação de sinais, algumas pessoas argumentam: “Mas crimes, guerras, terremotos e pestilências sempre ocorreram. Não há nada de anormal nisso; portanto, como tratá-las como sinais? Além do mais, pessoas sinceras no passado esperaram a volta do Senhor em seus dias e foram desapontadas. Elas interpretaram mal os sinais. Não poderíamos estar cometendo o mesmo equívoco?” Aqueles que levantam essa objeção deixam de considerar uma diferença muitíssimo significativa entre a nossa geração e as gerações passadas: hoje, pela primeira vez, desde que Jesus ascendeu ao Céu, todos os principais sinais preditos para o tempo do fim estão sincronizados! Um ou mais desses sinais podem ter ocorrido nas gerações passadas, mas nunca todos eles ocorreram simultaneamente, como vemos hoje!

Conclusão

1. Jesus nunca nos pediu que crêssemos na proximidade de Sua vinda com base apenas em um sinal. Um floco de neve não provoca uma avalanche. Mas quando todos os sinais rapidamente se multiplicam, dando assim seu testemunho acumulado, se transformam em uma avalanche de irresistível poder. Portanto, inequivocamente esses sinais da vinda de Cristo não deixam margem para que pessoas inteligentes deixem de reconhecê-los. São tão claros como se Deus estivesse falando por intermédio dos trovões ou se estivesse escrevendo em letras gigantescas no céu!

2. Por que você imagina que Deus nos deu a oportunidade de ouvir essas maravilhosas boas-novas? Para que pudéssemos “discernir os sinais dos tempos” e estar prontos para receber Jesus com avidez e alegria.

3. Lucas 21:28: “Ora, quando estas coisas começarem a acontecer, olhai para cima e levantai a vossa cabeça; porque a vossa redenção está próxima.”

''A'' que antecede plural não é craseado

Por Thaís Nicoleti
 
Mais uma vez a crase. Vale lembrar que a crase é a fusão da preposição “a” com o artigo feminino “a” – pelo menos, na maior parte das vezes. Por esse motivo, é preciso conhecer o emprego tanto da preposição quanto do referido artigo.

A preposição “a” carrega diversos significados, entre os quais o de movimento (daí introduzir as expressões de lugar que se seguem a verbos de movimento) e o de destinatário de ação (é, por excelência, a preposição do objeto indireto).

Assim, encontraremos construções como “ir ao cinema”, “chegar ao trabalho”, “entregar o documento a alguém”, “dizer algo a alguém” etc. Se o termo que se segue a essa preposição for masculino, ocorrerá a combinação “ao”; se for feminino, ocorrerá a crase (“à”), que equivale à hipotética combinação “aa”. Daí construções como “ir à igreja”, “chegar à festa”, “entregar o documento à diretora”, “dizer algo à mãe” etc.

Pode ocorrer, entretanto, que o substantivo que se segue à preposição “a” não seja antecedido de artigo. 
Isso normalmente ocorre quando esse substantivo é posto no plural com a intenção de acentuar seu sentido geral. Assim: “Referia-se a homens e a mulheres de bom caráter”.

No fragmento abaixo, o acento grave (indicador da crase) aparece no “a” que antecede um plural, coisa que não deve ocorrer em hipótese alguma, dado que, se houvesse um artigo, este estaria no plural. Observe o fragmento:

“O Consulado brasileiro em Tóquio preparou duas viagens à cidades atingidas pelo terremoto e tsunami que assolaram o Japão na última sexta-feira (11).”

Há duas formas de corrigir o fragmento: “viagens a cidades atingidas pelo terremoto”  ou “viagens às cidades atingidas pelo terremoto”. Esta última parece ser a mais adequada, considerando-se que o consulado vá promover viagens a todas as cidades atingidas, A presença do artigo indica a totalidade das cidades atingidas, enquanto a sua ausência pode conferir imprecisão à informação (não estaria claro se as viagens seriam feitas a todas as cidades ou a apenas algumas delas).

Assim, seguem as duas possibilidades de correção:

O consulado brasileiro em Tóquio preparou duas viagens às cidades atingidas pelo terremoto e pelo tsunami que assolaram o Japão na última sexta-feira (11).

O consulado brasileiro em Tóquio preparou duas viagens a cidades atingidas pelo terremoto e pelo tsunami que assolaram o Japão na última sexta-feira (11).


quinta-feira, 17 de março de 2011

Onde ficam as vírgulas?

Por Thaís Nicoleti

Muita gente apela para a intuição na hora de colocar as vírgulas, mas nem sempre os resultados dessa prática são satisfatórios. Há certas regras que, seguidas, facilitam a compreensão do texto.

O aposto explicativo, por exemplo, deve ficar entre vírgulas. Esse tipo de aposto contém uma explicação acerca do termo anterior, ou seja, uma informação de caráter suplementar. Assim: “A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, receberá o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama”. Note que seria possível eliminar os nomes Dilma Rousseff e Barack Obama sem prejuízo do sentido da frase (A presidente do Brasil receberá o presidente dos Estados Unidos), pois eles são meramente explicativos. Esse tipo de elemento fica entre vírgulas.

Veja o que ocorre no fragmento abaixo:

Obama e a família – a primeira-dama Michelle Obama e as filhas Malia e Sasha–  estarão em Brasília, no próximo dia 19, e no Rio de Janeiro, dia 20.

Entre travessões está explicado o termo “família” (de Obama). Trata-se, portanto, de um aposto. Até aí, sem problemas. Observe, porém, que, no interior do aposto, há outros apostos. Seria possível dizer apenas 

Obama e a família – a primeira-dama e as filhas do casal– estarão em Brasília...

Os nomes das pessoas funcionam como apostos explicativos. Deveriam, portanto, estar entre vírgulas. Assim:

Obama e a família – a primeira-dama, Michelle Obama, e as filhas, Malia e Sasha–  estarão em Brasília...

A vírgula que encerraria o segundo aposto (depois de Sasha) desaparece em virtude da presença do travessão.

O problema de vírgulas do fragmento, no entanto, ainda não está resolvido. Os adjuntos adverbiais de tempo estão desnecessariamente separados por vírgulas. Como estão depois de adjuntos adverbiais de lugar, essas vírgulas são dispensáveis. Assim:

... estarão em Brasília no próximo dia 19 e no Rio de Janeiro no dia 20.

Observe que, quando os adverbiais são da mesma natureza, usam-se as vírgulas. Assim:

Amanhã, às 14h,será realizada a reunião.

Os dois adjuntos adverbiais indicam tempo, o primeiro é mais geral (amanhã), o segundo é mais preciso (às 14h).

Abaixo, o fragmento com as vírgulas recolocadas:

Obama e a família –  a primeira-dama, Michelle Obama, e as filhas do casal, Malia e Sasha –  estarão em Brasília no próximo dia 19 e no Rio de Janeiro no dia 20.

sexta-feira, 4 de março de 2011

MORRE AOS 102 ANOS VIÚVA DE GUIMARÃES ROSA

Aracy Moebius de Carvalho Guimarães Rosa, viúva do escritor João Guimarães Rosa (1908-1967), morreu na manhã de (03/03/11) de causas naturais, em São Paulo.

Ela tinha 102 anos e sofria do Mal de Alzheimer.

 

Aracy e Rosa se conheceram em Hamburgo, Alemanha, às vésperas da Segunda Guerra, quando ambos trabalhavam no consulado brasileiro na cidade.


Encarregada da seção de vistos, Aracy ajudou dezenas de famílias judias a fugirem da Alemanha.


O papel de Aracy foi reconhecido com uma placa em seu nome no Jardim dos Justos, no Museu do Holocausto de Jerusalém. É homenageada ainda no Museu do Holocausto em Washington.


Aracy ficou imortalizada na literatura brasiliera com a dedicatória que Guimarães Rosa dedicou a ela no livro "Grande Sertão: Veredas" (1956): "A Aracy, minha mulher, Ara, pertence este livro".


Ela deixa quatro netos e oito bisnetos.


Confira outras notícias relacionadas: A Trilha Certa


segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

MORRE O ESCRITOR GAÚCHO MOACYR SCLIAR

Escritor teve falência múltipla de órgãos e morreu à 1h de domingo (27).
Desde 2003, Scliar era membro da Academia Brasileira de Letras.

O escritor gaúcho Moacyr Scliar, 73 anos, morreu na madrugada deste domingo (27) no Hospital de Clínicas em Porto Alegre, por falência múltipla de órgãos devido às consequências de um acidente vascular cerebral (AVC).

Scliar havia sofrido um AVC na madrugada de 16 de janeiro enquanto se recuperava de uma cirurgia no intestino. De acordo com a assessoria de imprensa do hospital, o escritor morreu à 1h, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ele deve ser velado neste domingo na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, a partir das 14h. O sepultamento será na segunda-feira (28), em cerimônia reservada a familiares e amigos.

Moacyr Jaime Scliar nasceu em 23 de março de 1937, em Porto Alegre. Era casado com Judith, com quem teve um filho, Roberto. Seus pais, José e Sara Scliar, oriundos da Bessarábia (Rússia), chegaram ao Brasil em 1904. Formado em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, era especialista em Saúde Pública e Doutor em Ciências pela Escola Nacional de Saúde Pública, tendo exercido a profissão junto ao Serviço de Assistência Médica Domiciliar e de Urgência.

Seu primeiro livro, publicado em 1962, foi "Histórias de médico em formação", contos baseados em sua experiência como estudante. Em 1968, publicou "O carnaval dos animais", de contos, que considerava de fato sua primeira obra.

Publicou mais de 70 livros de diversos gêneros literários – entre eles, os romances “O Exército de um homem só”, “A estranha nação de Rafael Mendes” e “O centauro no jardim” – e teve textos adaptados para cinema, televisão, rádio e teatro, inclusive no exterior. Era colaborador dos jornais Zero Hora e Folha de S. Paulo. Desde 2003, era membro da Academia Brasileira de Letras (ABL). Scliar ganhou três vezes o Prêmio Jabuti – a mais recente, em 2009, com o romance “Manual da paixão solitária”.


Fonte: G1

sábado, 26 de fevereiro de 2011

CRIANÇA SOBREVIVEU AO ABUTRE, FOTÓGRAFO SUCUMBIU À DOR


Kevin Carter disparou, em 1993, no Sudão, a foto que lhe viria a custar a vida, paradoxalmente, eternizando o fotógrafo sul-africano na galeria dos maiores repórteres fotográficos, com um “frame” icônico, o retrato de uma tragédia que não precisa de uma sílaba sequer. Quando fotografou aquela cena, em Ayod, no Sudão, em 1993, Kevin Carter teria visto, como quase toda a gente, na imagem de um abutre postado atrás de uma criança desnutrida, a metáfora perfeita para a fome que grassava, e matava, no Sudão. Disparou e pouco depois entrou no avião. O New York Times publicou a foto, que em 1994 viria a ganhar o prestigiado prêmio Pulitzer. Kevin Carter não suportou a glória de uma imagem que lhe recordaria a sua própria mortalidade, a sua própria face humana, que naquela tarde de 1993, no Sudão, se deixou dominar pelo brio profissional de capturar a imagem que melhor demonstrasse a tragédia que varria o Sudão. Conseguiu-o.

O Mundo viu, nessa foto, a morte e a fome, a morte pela fome. A opinião pública apressou-se a julgar e a condenar sumariamente a alegada frieza com que teria agido Kevin Carter, considerando que o fotógrafo poderia, e deveria, ter feito alguma coisa para salvar a criança. Kevin sentiu o mesmo e foi essa dor que o levou a pôr termo à própria vida, incapaz de suportar a ideia de não ter ajudado a salvar uma vida. [...]

A história de Carter é a de uma talvez infundada má consciência que o atirou para o consumo compulsivo de drogas, segundo o relato de dois amigos, Greg Marinovich e João Silva. [...] João Silva [...] foi o destinatário da carta deixada por Kevin quando do suicídio. A carta, conta João, “era enraivecida”. Nela, explica, Kevin justificava as drogas como “recurso fácil para a dor que sentia”.

Afinal, sabe-se agora, não era preciso ajudar aquela criança, que estava sendo ajudada pela ONU. Conta o El Mundo que a própria imagem ajuda a contar a história desconhecida, até agora, de Kong Nyong, a criança que escapou ao abutre e fintou a fome e a vida de Kevin Carter. Na mão direita da criança, vê-se uma pulseira de plástico da ajuda alimentar da ONU. Ampliando a foto, pode-se ver inscrita a sigla “T3”. “Usavam-se duas letras: ‘T’ para a malnutrição severa e ‘S’ para os que só necessitavam de alimentação suplementar. O número indica a ordem de chegada ao centro alimentar”, contou Florence Mourin, que coordenava os trabalhos naquele campo improvisado de ajuda alimentar.

Feita a explicação, a história, embora dura, parece mais linear: Kong Nyong sofria de malnutrição severa, foi o terceiro a chegar àquele centro e estava recebendo ajuda. Sobreviveu à fome e evitou o abutre. Segundo o pai, morreu em 2006, jovem adulto, vítima “de febres”, não de fome. Kevin Carter é que já não está aqui para testemunhar essa descoberta dos repórteres do El Mundo.

(Jornal de Notícias)

Nota: A presença da dor no mundo, sem dúvida, é um dos maiores “problemas filosófico-teológicos” com os quais os teístas têm que lidar. Se Deus é bom e todo-poderoso, argumentam alguns, por que Ele não faz nada a respeito do assunto? Se não faz, é porque não é tão bom ou não é tão poderoso. Desde Epicuro essa ideia, entre outras, vem sendo usada por ateus e incrédulos a fim de descartar a crença. Curiosamente, eu estava lendo o livro O Problema do Sofrimento (Ed. Vida), do ex-ateu C. S. Lewis, quando me deparei com a matéria acima. Veja o que ele escreveu nas páginas 108 a 111:

“Enquanto o homem mau não toma, na forma de sofrimento, consciência do mal inequivocamente presente em sua existência, ele está preso na ilusão. Uma vez despertado pelo sofrimento, ele sabe que, de uma forma ou de outra, está ‘face a face’ com o Universo real. Assim, ou se rebela (com a possibilidade de uma vazão mais evidente e de um arrependimento mais profundo em algum estágio posterior) ou faz alguma tentativa de adaptação, a qual se for buscada, haverá de leva-lo à religião. [...]

“Até mesmo os ateus se revoltam e exprimem [...] sua cólera contra Deus embora (ou porque) Deus, no ponto de vista deles, não exista. [...] Não resta dúvida de que o sofrimento, no forma de megafone de Deus, é um instrumento terrível, pois pode levar à rebelião definitiva e sem arrependimento [ou ao suicídio?]. Ele propicia, contudo, a única oportunidade que o homem mau pode ter para se emendar. Ele retira o véu ou finca a bandeira da verdade na fortaleza da alma rebelde. [...]

“Ora, Deus, que nos criou, sabe o que somos e que nossa felicidade repousa nEle, contudo não a buscaremos nEle enquanto Ele nos deixar qualquer outro recurso em que ela possa ser procurada de maneira plausível. Enquanto o que chamamos ‘nossa vida’ continuar satisfatório, não o entregaremos a Ele. O que, então, Deus pode fazer em nosso interesse, a não ser tornar ‘nossa vida’ menos satisfatória e privar-nos da fonte plausível da falsa felicidade? É justamente aqui, onde a providência de Deus parece a princípio ser mais cruel, que a humildade Divina [de aceitar aqueles que só se voltam para Ele na dor], o curvar-Se do Ser superior, mais merece louvor. [...]

“Os perigos da aparente autossuficiência explicam por que Nosso Senhor considera os vícios dos fracos e dissolutos de maneira tão mais tolerante que os vícios que levam ao êxito mundano. As prostitutas não correm o risco de achar a vida que têm satisfatória a ponto de não poderem se voltar para Deus. Já o orgulhoso, o avarento e o hipócrita estão correndo perigo.”

Muitas vezes, os pais têm que permitir que os filhos passem por situações difíceis a fim de que eles adquiram experiência em formem bom caráter. E não raro esses pais permitem isso com lágrimas nos olhos, acompanhando tudo de perto, ansiosos por abraçar o filho em processo de aprendizado. O Pai celestial também está “desesperadamente” interessado em nosso bem maior; em nossa segurança e felicidade eternas. E Ele sabe que isso somente será possível quando estivermos do outro lado da eternidade. Esse dia está próximo, mas, por enquanto, o processo de aprendizado prossegue. Deus sente nossa dor (e sentiu muito mais na Cruz...); caminha ao nosso lado com lágrimas nos olhos e corre até mesmo o risco de ser mal interpretado. Tudo para nos ajudar a fazer a mais importante das escolhas: aceitar a salvação que Ele oferece de graça. Se as lágrimas de dor hoje dificultam sua visão, aguarde o dia em que todas as perguntas serão respondidas – no colo do Pai.[MB] 

Fonte: Criacionismo 

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

MILTON HATOUM TERÁ VIDA E OBRA CONTADA NA TV

Série Autor por autor vai ao ar neste domingo na TV Cultura  

O escritor amazonense Milton Hatoum terá sua vida e obra retratada na série Autor por Autor, que será exibida neste domingo (27), às 19h30, na TV Cultura. Para mostrar Hatoum ao grande público, três atores entram em cena: Esther Góes, que interpreta a mãe do escritor; Cacá Amaral, que faz o papel do avô da Hatoum; e Emílio de Mello como o próprio autor. A série traça perfis de grandes nomes da literatura, com 48 minutos de duração, aproximando o público dos mais importantes autores contemporâneos brasileiros. O programa tem direção de Ricardo Elias.

Fonte: Publishnews 
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Nota: Dentre os romances e contos de Milton Hatoum, destaco e indico aqui, a leitura de Dois Irmão, seu segundo romance. O enredo se desenrola a partir dos gêmeos Yaqub e Omar, filhos de imigrantes libaneses. O relacionamento conturbado dos irmãos um com o outro e com os pais, Halim e Zana, marca a história do romance. Domingas, a empregada da família, tem um filho, que por sua vez se criou nesta casa e se tornou o menino de recado. É ele que, como testemunha, depois de adulto, irá narrar as histórias dos personagens dessa trama marcada por deslocamentos e desterritorizações, incesto, vingança, ódio e paixão.

A narrativa segue um curso não linear, através de fragmentos de lembranças do narrador, podemos acompanhar os fatos, não cronologicamente, o que no exige mais atenção na leitura. O início da história conta sobre a volta do Líbano de Yaqube, o filho mais velho, só depois então, saberemos os acontecimentos que antecederam a este fato e a tentativa da família de evitar conflitos entre os irmãos.

Apesar da natureza trágica que marca os romances de Hatoum, o autor expõe de maneira lírica, através de seu estilo literário e plástico, o qual envolve e nos leva à catarse de nossas emoções. Apesar do cunho ficcional, as obras trazem traços da realidade, inclusive do próprio autor, amazonense, filho de imigrantes, criado num território híbrido, de várias nacionalidades e línguas, estudou no exterior, voltou ao Brasil e atualmente mora em São Paulo.


Site oficial: Milton Hatoum


Duas frases do livro que marcaram a leitura. Para saber o personagem que falou, será preciso ler o romance.

 “Alguns dos nossos desejos só se cumprem no outro, os pesadelos pertencem a nós mesmos.”

“[...] a memória inventa, mesmo quando quer ser fiel ao passado.” 







quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

OS AMBIDESTROS SÃO MAIS SUGESTINÁVEIS

Um estudo da Montclair University, de Nova Jersey, revelou que as pessoas ambidestras, aquelas que escrevem e realizam outras atividades do dia-a-dia com as duas mãos, são mais sugestionáveis. 

A responsável pelo estudo, Ruth Popper, contou que os ambidestros são mais fáceis de serem persuadidos a sentir algo do que os destros. Para verificar se a ambidestria tinha alguma relação com a estabilidade emocional de cada um, Ruth tentou influenciar o estado de espírito de pessoas destras e ambidestras, pedindo que eles pensassem coisas alegres, tristes ou que as deixasse preocupadas, enquanto escutavam diferentes tipos de música clássica.

A pesquisadora descobriu que os ambidestros reportaram que assim que entraram no laboratório, tiveram sensações negativas, sugerindo que seu humor foi influenciado pelo ambiente. Eles também estiveram mais propensos a mudar de humor durante os experimentos. Os destros foram mais consistentes em seu humor, tiveram um fluxo menor de emoções. 

“Ambidestria pode ser um sinal de como o cérebro de uma pessoa é organizado”, diz Ruth. Segundo ela, estas pessoas têm o corpo caloso – estrutura que conecta os hemisférios esquerdo e direito do cérebro – mais largo. Por causa disto, há uma comunicação maior entre as duas metades do cérebro e isso poderia explicar a facilidade de persuasão.

Quase 90% das pessoas são destras. Já os outros 10% se dividem em canhotos e ambidestros. Aos ambidestros, fica o alerta: melhor pensar duas vezes antes de seguir o conselho de alguém! [NewScientist]

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A BÍBLIA DO MACKENZIE

Por Carlos Lordelo

Os calouros da Universidade Presbiteriana Mackenzie ganharam no segundo dia de aulas um kit contendo mochila e uma Bíblia com o logotipo da instituição. “É desejo do Mackenzie que você encontre aqui não só conhecimento humano, mas que você conheça a Deus, relacione-se com ele e encontre alegria nesse relacionamento”, diz a universidade no texto de apresentação.



Além do Antigo e do Novo Testamento, o livro, em formato de bolso, traz informações sobre a Igreja Presbiteriana do Brasil, que controla o instituto responsável pelo colégio e pela universidade – descrita como “cristã, fiel à cosmovisão reformada e, ao mesmo tempo, comprometida com um ensino de qualidade, em ambiente de liberdade acadêmica e ausência de discriminação”.

Fonte: O Estadão

domingo, 20 de fevereiro de 2011

A MISÃO DE ATUAR

Crente convicto, Denzel Washington diz que o personagem Eli é mais um instrumento para propagar sua fé diante das câmeras.
Por Brett McCracken





Ele sempre inclui em seus autógrafos a frase “Deus te abençoe”. Nos sets de gravação, faz questão de expressar sua fé através de orações. No conforto de casa, medita nas Escrituras todas as manhãs – tanto, que acaba de completar a terceira leitura da Bíblia de capa a capa. Agora, na pele do personagem principal de O Livro de Eli (Sony Pictures), novo e apocalíptico filme de Hollywood, em cartaz no Brasil, Denzel Washington dá continuidade à carreira que considera como um verdadeiro ministério. Assim é o astro ganhador de dois Oscars e um dos mais consagrados atores de sua geração. Aos 55 anos, Washington saboreia a celebridade e a fortuna que conquistou ao longo de quase três décadas à frente das câmeras. Mundialmente famoso por sua participação em sucessos de bilheteria como Tempo de Glória, Filadelfia e Dia de Treinamento, ele não deixa de dar glórias a Deus por tudo.

Em O Livro de Eli, Washington interpreta um misterioso peregrino guiado por Deus para proteger o último exemplar da Bíblia Sagrada num cenário de devastação nuclear. Ele deve guardar o livro e entregá-lo a quem seja digno de usá-lo para reerguer a humanidade, mas precisa enfrentar aqueles que querem apoderar-se das Escrituras e fazer delas instrumento de poder – particularmente, o tirânico Carnegie (Gary Oldman). Mas, apesar da nobreza da missão, Eli por vezes recorre a uma violência maior do que a dos vilões que tem pela frente. Ele só começa a mudar após conhecer uma menina (Mila Kunis) que o faz lembrar que, muitas vezes, o radicalismo em relação às coisas consideradas sagradas pode cegar o homem. Uma metáfora do que acontece na vida de muita gente, inclusive crentes sinceros, tão zelosos da Palavra de Deus que se esquecem de que o mais importante não é possuí-la, mas viver de acordo com seus ensinos.

É possível encontrar fé por todo lado no filme. Tudo bem que os diretores (e irmãos) Albert e Allen Hughes tenham usado e abusado dos clichês, mas a campanha de divulgação nos Estados Unidos apostou na terminologia religiosa, e a expectativa é de que a obra seja lembrada pelo conteúdo – além, é claro, de que renda seus milhões. Mas, a julgar pelas palavras de Denzel Washington, sua participação nele é muito mais do que mero trabalho. “A grande mensagem de Eli é ‘faça mais pelos outros do que você faria por você mesmo’”, diz o ator. Nas filmagens, ele tentou influenciar os colegas de elenco e a equipe técnica. “Nós orávamos por tudo, todos os dias”, garante. “Tenho tentado agir desta forma, ainda que nos piores papéis, como em Dia de Treinamento”. Ali, na pele do agente de polícia Alonzo Harris, faturou a segunda estatueta da Academia como ator principal.

O artista diz que sempre escolhe papéis através dos quais possa direcionar uma “mensagem positiva” ao público ou até mesmo refletir a profundidade de sua fé pessoal. De forma similar ao personagem de Washington em Chamas da Vingança, a violência de Eli tem ao menos a justificativa de proteger inocentes. “Não foi tão fácil encenar o papel”, reconhece. “O cara é mais violento do que Malcolm X”, compara, em referência ao ativista negro que encarnou no filme homônimo, de 1992.  Contudo, na vida real, o ator é um homem calmo, desses que costumam ser definidos como “de família”. Casado há 26 anos com Pauletta e pai de quatro filhos – John David, Katia e os gêmeos Malcolm e Olivia –, Denzel Washington está longe daquele estereótipo de Hollywood, onde os astros não são exatamente conhecidos pela vida conjugal estável.
 
Estrelato – O comportamento discreto fora de cena tem explicação. É que a fé evangélica é parte fundamental da vida de Washington desde sempre. Filho de um pregador pentecostal de Mount Vernon, no estado de Nova Iorque, ele é membro ativo da Igreja de Deus em Cristo. “Creio que Jesus é o Filho de Deus”, professa. “Fui certa vez preenchido em meu coração com o Espírito Santo, e eu sei que isso é real”. O ator conta que a conversão, ocorrida na adolescência, foi um momento íntimo com Deus. “Comecei a chorar como um bebê, e a assustar-me com tamanha realidade, pois não entendia o que estava acontecendo. Foi uma experiência muito forte”, narra. “Eu pensava que ‘Deus é amor’ fosse apenas uma expressão. Levou um tempo até que eu entendesse o verdadeiro significado daquelas palavras. Se você não consegue amar aqueles que estão ao seu redor, então você não tem nada.”

Embora não seja declaradamente um grande fã da palavra “religião”, ele não tem vergonha de falar abertamente sobre suas convicções cristãs. Certa vez, perguntou ao seu pastor se porventura poderia ter uma vocação para ser ministro do Evangelho. A resposta foi taxativa: “Você já não está falando para milhões de pessoas?”. Como seu personagem Eli, Washington acredita em chamadas proféticas, e tenta fazer o máximo que pode para cumprir o que pensa ser o ministério que o Senhor lhe reservou. Ele relembra um episódio de quando tinha 20 anos, que demonstra como relaciona sua fé com a carreira. Em 1975, o então estudante estava no salão de beleza da mãe quando ouviu de uma cliente uma palavra estonteante. Aquela mulher, chamada Ruth Green, era uma crente conhecida na cidade como profeta de Deus e disse claramente a Washington: “Meu filho, você viajará pelo mundo e falará a milhões de pessoas”. E foi exatamente o que ocorreu, embora de forma inusitada.

Naquele verão, Washington foi voluntário num acampamento da Associação Cristã de Moços. Os conselheiros realizavam diversas atividades para as crianças, e alguém sugeriu que ele atuasse, pois já demonstrava habilidades cênicas. No outono daquele ano, começou a estudar jornalismo na Universidade Fordham, curso mais tarde abandonado. A sua primeira grande oportunidade cinematográfica foi proporcionada pelo diretor Richard Attenborough, que o convidou para desempenhar o papel do ativista sulafricano Steve Biko em Um Grito de Liberdade, de 1987. Dois anos depois, conquistou o Oscar por seu papel coadjuvante no épico Tempo de Glória, sobre um batalhão de soldados negros na Guerra de Secessão americana. O Dossiê Pelicano, ao lado de Julia Roberts, e Filadelfia, em que atuou como o advogado do personagem homossexual e soropositivo vivido por Tom Hanks, levaram-no definitivamente ao estrelato.
 
“Fazer o melhor” – Denzel Washingtonreconhece que foi colocado por Deus em uma posição única. “Sinto-me capaz de fazer o meu melhor, pregando com minha arte”, explica. Uma passagem bíblica que chama particularmente sua atenção é o texto de Provérbios 4. Ele diz que o sábio Salomão o faz pensar sobre a própria vida. “Tenho uma casa enorme, com todas essas coisas, mas o Senhor me fez ver que não posso carregar tudo comigo quando partir”. O ator conta que tem sido motivado a buscar sabedoria, tema constante em seus devocionais. “Não posso ser mais bem sucedido. Mas eu posso ser alguém melhor. Posso aprender a amar mais, a ser mais compreensivo, a obter mais sabedoria”, aspira. Aliás, caso se visse na mesma situação que Eli, tudo o que o ator gostaria de ter seria justamente uma Bíblia. “Acho que ter fé é escutar aquela vozinha dentro de você, não ser intimidado ou desencorajado pelos outros e seguir sua missão na vida”, diz. “Minha mãe me dizia que é interessante fazer o bem, mas é preciso fazê-lo da maneira certa.”

Sobre o próprio talento, o astro é bem objetivo: “Recebi algumas habilidades, e as encaro da seguinte forma: O que farei com o que tenho? E quem será exaltado com isso tudo?”. Além de seu envolvimento com a obra de Deus – ele doou 2.5 milhões de dólares para a construção das novas instalações de sua igreja, em 1995 – é um grande patrocinador do programa Boys and girls clubs of America (do qual ele participou quando criança), dentre outra ações de caridade. Ciente de que é um privilegiado, Denzel Washington só quer poder falar como seu personagem Eli, no fim do filme, citando a conhecida passagem de II Timóteo 4.7: “Lutei o bom combate e guardei a fé”.

Fonte: Cristianismo Hoje

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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O JEGUE E OS LIVROS

Por Galeno Amorim

Nem adianta perguntar pelo paradeiro do Manoel Ribeiro Filho por lá. Dificilmente alguém vai saber responder. Já do Barraca e suas proezas não há por ali quem não tenha ouvido falar. Nascido e criado em Auzilândia, lugarejo de quatro mil habitantes no meio do caminho para a Serra de Carajás, agora ele é famoso no lugar.

O apelido, naturalmente, é bem autoexplicativo. E foi conquistado a duras penas. Todo mundo tinha na ponta da língua alguma encrenca em que o moleque já se metera. Ele vivia às voltas com as drogas. E fugia como o diabo da cruz dos conselhos e sermões dos mais velhos.

O certo é que, nem entre os próprios amigos e familiares, não havia quem apostasse muita coisa pro futuro daquele menino rebelde, indisciplinado e com um boletim escolar de fazer dó, com as notas mais baixas da classe.

Só que um dia o Barraca mudou. Da água pro vinho.

Ninguém sabe ao certo como o milagre se deu. Uns dizem que o responsável por tudo foi um jegue, animal quase sagrado na vida do sertão. Outros, que foram os livros.

O caso é que certo dia a professora resolveu fazer um convite ao mais insolente de todos os seus alunos. E convocou Barraca a colaborar no novo projeto da escola. O menino teria que conduzir pelas ruas do povoado, semana sim semana não, um jegue. No lombo do animal, colocariam um jacá colorido, cheinho de livros. Eram livros para serem oferecidos e lidos pelas pessoas que estivessem passando na rua.

E quem é que teria que convencer as pessoas a ler?! Sim, justo ele que nunca fora dado aos livros, cadernos, quadro-negro, essas coisas...

Mas, por que não?!, assoprou, na mesma hora, em seu ouvido, o bichinho da dúvida - que, afinal, todo mundo tem o seu. Aquilo tudo, ele conclui, tinha cheiro de confusão na certa. Ele topou, é claro.

Com o jumento à frente, a festiva procissão dos livros saía, com toda pompa, à cata de possíveis e preguiçosos leitores. Em dado momento, eles espalhavam os livros pelo chão, sobre um lençol. Para conquistar um leitorzinho que fosse, valia tudo.

- Quem quiser que pegue o seu! - gritava o camelô de livros emprestados.

Muitos, de fato, apanhavam o seu. E liam até. Sem uma biblioteca, uma livraria ou uma banca de jornal que fosse, esse era o único jeito de conseguir um livro por aquelas bandas.

A ideia logo pegou.

Mas um dia Barraca, solerte motorista da biblio-jegue (um dos tantos apelidos inventados pelo povo), estranhou que alguns daqueles homens e mulheres de mãos calejadas, cansados da labuta da vida, só folheavam. E, às vezes, folheavam de cabeça pra baixo.

Não sabiam ler, ele concluiu. E, pelo visto, não tinham nenhum orgulho disso. Principalmente quando estavam na frente dos netos pequenos.

Barraca - que, até então, batia no peito, orgulhosamente, para dizer que não lia mesmo por pura vagabundice - foi tocado, nessa hora, por um estranho sentimento de compaixão. Resolveu, então, dar uma mãozinha para esses. Pegou um desses livros com muitas figuras, letras grandes e poucas páginas e passou a ler para eles.

Quando se deu conta, já tinha tomado gosto pela coisa. E a vida dele, aos poucos, ia mudando. Daí a se tornar um contador de histórias - figura mítica que tem se multiplicado pelo país afora com espantosa rapidez - foi um pulo.

A primeira transformação é que Barraca passou a ser reconhecido nas ruas. Agora, por uma causa boa. Gostou disso. Quando a meninada o chamava de tio, ele se sentia importante, com sua autoestima lá no topete.

Em pouco tempo, se tornaria professor na alfabetização de jovens e adultos. Logo ele...

Hoje em dia, o Barraca já não existe mais. Deu lugar ao Manoel, cidadão de bem que vive no município de Vista Alegre do Alto, nos grotões do Maranhão. Que descobriu que, se ler para si pode ser uma atitude cidadã, ler para o outro é, sobretudo, um ato de amor.