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segunda-feira, 20 de junho de 2011

POR UMA IDEIA DE LITERATURA EXPANDIDA

Artigo escrito pela Dra. Cristiane Costa, publicado em O Globo. Vale a pena conferir. Uma reflexão profunda da nova literatura e seus novos suportes eletrônicos. Dá ainda pra chamar a literatura da década de 90 de contemporânea?


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O cinema nasce do teatro, mas não é teatro. É uma nova arte, com uma nova linguagem, criada a partir de uma nova tecnologia. O mesmo pode ser dito da fotografia em relação à pintura. E, com algumas ressalvas quanto a seu conteúdo artístico, do rádio e da televisão. Terá chegado a vez da literatura? Até onde ela pode se expandir em hipertextos, hiperlinks, multimídias, quebrando a linearidade da página, antes de se tornar uma nova arte?

Enxergar que o livro eletrônico é um novo passo na longa série de invenções de tradições narrativas tira o foco da discussão banal entre os que acham que o livro impresso vai acabar e os que se recusam a abandonar o papel.

A própria ideia de livro e literatura perde parte de seu sentido quando nos deparamos com novas estratégias narrativas em bases digitais, que atuam na confluência de várias artes e mídias. O aspecto inovador não está restrito apenas à tecnologia de leitura dos tablets, nos chamados >ita<enhanced books ou enriched books (livros enriquecidos ou turbinados), mas também às maneiras de narrar.

A “literatura” é contaminada pela lógica interativa dos games; cortada, colada e remixada, como fazem os DJs; integrada à internet, misturando palavra, vídeo, foto, som e animação, e explodindo em 3D nas telas com cenários e personagens em Realidade Aumentada. Estes “livros” podem ainda ser reescritos por seus leitores, em experiências interativas e colaborativas que colocam em questão o conceito de autoria e propriedade intelectual.

Na era digital, books viram vooks (vídeo + book). Romances epistolares passam a ser e-pistolares, com símbolos do SMS substituindo os travessões. Até mesmo coordenadas geodésicas, como as marcações do Google Maps, podem oferecer estruturas narrativas jamais usadas antes para clássicos como “A volta ao mundo em 80 dias”, de Julio Verne. Chatbots (programas de computador desenhados para similar uma conversação normal entre personagens e leitores) abrem espaço para um nível de interatividade inédito.

Ainda é cedo para medir o impacto na criação literária dessa literatura sem papel. O livro eletrônico poderia desenvolver novas formas expressivas, assim como o livro impresso possibilitou o boom do romance, e a câmera, do cinema? Novas tradições narrativas não nascem do nada, alimentam umas às outras. O desejo de imersão no universo fantasioso é uma ambição da literatura desde os seus primórdios. Desejo que pode ser intensificado ao máximo neste mundo em que os verbos ler, ver, ouvir, interagir, compartilhar e comentar se misturam. Mas, se tudo é dado pela tecnologia, qual o espaço para a imaginação?

Tudo isso enche os olhos, mas ainda parece experimental demais, sem qualidade literária que possa ser apreciada pelo leitor comum. No entanto, há décadas lemos e apreciamos obras que permitem criar combinações, experimentando uma outra ordem de leitura. Os poemas aleatórios de Tzara, os labirintos de Borges, as construções hipertextuais de Cortázar, as experiências de Perec e do grupo Oulipo, os cut-ups de William Burroughs ou as histórias incompletas de Calvino já apontam para uma forma de expressão não-linear e exigem um leitor mais ativo do que passivo.

Chega a ser sintomático que, quando usamos o termo literatura contemporânea no Brasil, em geral pensamos numa geração surgida a partir dos anos 90, quando a web ainda engatinhava, ignorando tudo o que de mais inovador vem sendo produzido desde então, inclusive por autores nacionais. Uma literatura sem papel vem se desenvolvendo como um universo à parte, com seus próprios canais de distribuição, utilizando-se de novos suportes, desenvolvendo suas próprias categorias críticas. Mesmo críticos mais renomados se surpreendem ao ver o vigor desta produção que cresce à margem das instituições e saberes tradicionais. Fatalmente se questionam sobre seu papel neste universo estruturalmente participativo, em que produtores e consumidores se misturam. E se ressentem da perda de seu prestígio como gatekeepers, perdendo o poder de dizer o que é bom ou ruim. Poder que passou a ser pulverizado por comunidades de fãs (com seus fancritics, fanartists, fanfictions etc), que se comunicam e compartilham interesses fora das redes tradicionais dos suplementos literários e círculos universitários. 


CRISTIANE HENRIQUES COSTA é doutora em Comunicação e Cultura pela UFRJ, professora da ECO e pesquisadora do pós-doutorado do Programa Avançado de Cultura Contemporânea, onde desenvolve estudo sobre as novas estratégias narrativas em mídia digital. É curadora, junto com Heloisa Buarque de Hollanda, do ciclo Oi Cabeça, que acontece até dezembro no Oi Flamengo. Dia 22, às 19h30m, Scott Lindenbaum, Paulo Werneck, Sergio Rodrigues e Carlos Carrenho falam sobre “Novos espaços para a literatura”

domingo, 12 de dezembro de 2010

O papel pode morrer; a leitura, não

Por Daniel Piza:

Nunca se produziram tantos livros no mundo. O maior sucesso recente da literatura mundial foi uma série de romances juvenis, Harry Potter, cujos volumes têm mais de 700 páginas cada um. O índice de leitura no Brasil aumenta ano a ano. O melhor livro de ficção nacional do último decênio, Dois Irmãos, de Milton Hatoum (2000), já soma cem mil exemplares vendidos; é um sucesso de crítica e público.

Feiras literárias como a de Paraty unem grandes autores em salas lotadas. Imprensa? As duas mais sofisticadas revistas de língua inglesa, The Economist e The New Yorker, que se caracterizam pelos textos extensos e análises críticas, hoje têm a maior circulação de sua história: mais de 1 milhão de exemplares cada uma. No Brasil, nunca se falou tanto em jornalismo literário, nome de uma coleção de livros (que teve títulos como A Sangue Frio, de Truman Capote, e Hiroshima, de John Hersey, na lista dos mais vendidos em não-ficção), e nunca se tentou praticá-lo tanto. Entre os estudantes, o jornalismo cultural passou a ser o mais procurado, em vez do político e do econômico.

Quem diz que textos em papel estão morrendo, portanto, está desdenhando fatos. Se há uma queda geral no nível cultural, se hoje vemos até pessoas das artes e das idéias com formação geral deficiente, não é por causa de alguma incompatibilidade fundamental entre o homem contemporâneo e a superfície impressa. O que há é uma perda do valor desse conceito, “formação”, num mundo tão bombardeado de informações e de tantas horas perdidas em trânsito, distração e consumismo. Pois quem deseja tomar contato com o que se escreveu de melhor no passado tem ampla oferta de produtos e eventos. Editoras como (
Best Seller, Record), Cosac Naify, Companhia das Letras, 34 e L&PM têm feito ótimo trabalho de reedições e novas traduções de clássicos, inclusive com vendas em bancas de jornal a menos de R$ 10 o exemplar. Assim como CDs, DVDs e os sites com vídeos e áudios, o acervo de textos antigos é hoje maior do que já foi em qualquer era anterior; temos Shakespeare a um clique no mundo todo.

Sim, a circulação de jornais tem caído nos últimos anos, sobretudo nos países ricos, como EUA, e boa parte disso pode ser atribuída à concorrência de outros meios de comunicação; a televisão, por sinal, está tão preocupada com a internet quanto a imprensa escrita. Para o sujeito que trabalha e tem família, há uma sensação de que está informado ao longo do dia: escuta rádio no caminho, fica diante do computador o dia inteiro, há TVs com canais de notícia 24h em todos os lugares, volta para casa e ainda consome mais jornalismo até pelo celular. Como não querer que nesse mundo pulverizado o jornal diário em papel não perca espaço? Isso, porém, não significa que ele não vá continuar a ser lido por uma minoria, ainda que em suporte digital (em aparelhos como o Kindle, que foi redesenhado justamente para baixar jornais), nem que a leitura de livros e revistas vá deixar de ser um hábito distintivo do Homo sapiens. Na convergência de mídias, nada elimina o que houve antes: apenas absorve e transforma – e, se a humanidade quiser, pode até ser para melhor.



terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Google Lança Livraria Digital


O Google lançou nesta segunda-feira (6) o “Google eBooks”, a maior livraria digital da internet, segundo a empresa, com mais de três milhões de títulos disponíveis.
Com o novo serviço, a companhia espera competir com a Amazon, fabricante do leitor digital Kindle, que domina o mercado de livros eletrônicos, avaliado em US$ 1 bilhão.
Com três meses de atraso, o projeto foi lançado nos Estados Unidos com um nome diferente do que era esperado – "Google Editions".
“Acreditamos que essa será a maior biblioteca de livros eletrônicos do mundo”, disse o porta-voz da empresa Jeannie Hornung. “Incluindo os livros gratuitos, tem mais de três milhões de títulos disponíveis no novo serviço”.
Os usuários poderão comprar os livros pelo site e ler os títulos em vários aparelhos, como tablets, computadores, smartphones e em alguns leitores eletrônicos. Outra vantagem do novo serviço é a possibilidade de armazenar os títulos comprados na conta do Google.

Fonte: G1


Indicação de Leitura:

Nao Contem Com O Fim Do Livro
Autor: Eco, Umberto
Autor: Carriere, Jean-Claude
Tradutor: Telles, Andre
Editora:
Record
Assunto: Literatura Estrangeira - Teoria E Crítica Literária
ISBN-13:   
Livro em português
Brochura
 - 21 x 14 cm 1ª Edição - 2010
272 páginas

Do Papiro ao arquivo eletrônico, os autores apresentam uma discussão sobre a história e o futuro dos livros. Ao percorrerem cinco mil anos de existência dos impressos, eles defendem a imortalidade do objeto como o conhecemos, apesar dos e-readers e da internet.

"(...) o e-book não matará o livro - como Gutenberg e sua genual invenção não suprimiram de um dia para o outro o uso dos códices, nem este, o comércio dos rolos de papiros ou volumina.
Os usos e costumes coexistem e nada apetece mais do que alargar o leque dos possíveis. A fotografia matou o quadro? A televisão, o cinema? Boas0vidas então às prancetas e periféricos de leitura que nos dão acesso, através de uma única tela, à biblioteca universal doravante digitalizada." (Capa)

Esse e outros livros você poderá encontrar na nova Livraria Cultura de Salvador, inaugurada no dia 17/11, a mesma conta com uma equipe qualificada, espaço amplo e acochegante, além do Teatro Eva Herz.

LIVRARIA CULTURA - SHOPPING SALVADOR
Av. Tancredo Neves, 2915
41820-910 - Caminho das Árvores - Salvador - BA

Horário de Funcionamento:
Segunda a Sábado - 09h às 22h
Domingos e feriados - 12h às 21h

Tel.: (71) 3505-9050