sexta-feira, 29 de abril de 2011

É FUNDAMENTAL A JUNÇÃO ENTRE EDUCAÇÃO INFORMAL E FORMAL

Depoimento: Marina Silva

A ambientalista fala sobre a importância de uma Educação não-formal rica e valorosa

 

Mesmo com acesso tardio aos estudos, Marina Silva conseguiu chegar à universidade

 

A Educação envolve um processo amplo, uma integração entre o que se aprende na família, com os amigos, na comunidade e nos diversos meios de informação e o que se aprende na escola, nos livros, com professores, de forma sistematizada. E é fundamental essa junção entre Educação informal e formal.

Tive o privilégio de ter uma Educação não-formal extremamente rica e valorosa.
Quando isso ocorre, quando se é adequadamente estimulado desde o princípio da vida, com certeza haverá uma boa relação com a Educação formal. Quando não se tem acesso a um letramento, a um conhecimento sistematizado, não significa que você não tenha conhecimento. Mas num mundo letrado, quem não passa pela Educação formal acaba ouvindo e percebendo o mundo pela metade. E uma das coisas que a Educação fez por mim foi ajudar a ampliar o meu olhar e a minha escuta. Aguçou em mim o desejo de aprender e o prazer de ensinar.

Mesmo com o acesso tardio aos estudos e com um aprendizado precário na educação básica, consegui entrar em uma universidade, onde encontrei bons professores. Já fiz duas pós-graduações e pretendo continuar estudando. Foi pela Educação formal que consegui sair de um situação de pobreza e de falta de oportunidades, para chegar a servir ao país em cargos como o de Senadora da República e Ministra de Estado.

Marina Silva é formada em História e pós-graduada em Psicopedagogia. Foi senadora e ministra do Meio Ambiente. Foi candidata à Presidência da República nas eleições de 2010

quarta-feira, 27 de abril de 2011

ROCCO LANÇA DOIS TÍTULOS DE MAURICE BLANCHOT

PublishNews - 27/04/2011 - Redação
O autor é romancista e crítico literário francês

A editora Rocco está lançando dois novos livros do romancista e crítico literário francês Maurice Blanchot, A parte do fogo (352 pp., R$ 46 – Trad. Ana Maria Scherer) e O espaço literário (304 pp., R$ 39,50 - Trad. Álvaro Cabral). No primeiro título, o autor questiona o que é a literatura e o que move os escritores a se dedicarem às letras com devoção, suor e sofrimento. Blanchot passeia pelas vidas e obras de Kafka, Baudelaire, Rimbaud, Sartre, Gide e outros homens que deram a vida pela palavra escrita. Já O espaço literário é um ensaio sobre literatura em que o escritor não se declara nem crítico, nem filósofo, nem teórico. Ele se afirma principalmente como “um homem que se interroga sobre a arte de escrever” e sobre “a escritura vista como cenário de uma experiência humana essencial”.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

A ANSIEDADE É O MAIOR PERIGO PARA UM ESCRITOR

Folha de S. Paulo - 23/04/2011 - Por Ana Paula Sousa
Autora de 19 livros de contos e quatro romances, Lygia Fagundes Telles cismou que seria escritora ainda menina. Diz, hoje, que a teimosia juvenil não rendeu boa escrita. "Para escrever, é preciso, antes, ler muito, criar parâmetros. A pressa faz muito mal ao escritor", afirma, referindo-se a si, mas também aos jovens autores contemporâneos. “Eles me parecem ainda mais ansiosos do que nós éramos. Ansiosos por escrever e por aparecer. E a ansiedade é o maior perigo para um escritor.”

quarta-feira, 20 de abril de 2011

MÚSICA CLÁSSICA E PERCUSSÃO VOCAL

Da criação de Kevin CO Olusola, a mistura de música clássica tocada com violoncelo e percussão vocal, foi perfeita. Mas se você não sabe, não vá não.

Assista o vídeo e deleite-se!

terça-feira, 19 de abril de 2011

CAMA LIVRO

BOOK BED

"Agora você pode, literalmente, enrolar-se nas páginas de um livro bom! Yusuke Suzuki fez esta cama com lençóis formando as páginas, e as almofadas servem como marcadores". Neatorama


Para aqueles que tem o costume de ler antes de dormir, agora poderá dormir neste ambiente literário. Além de ser uma forma lúdica de incentivar a leitura da criançada.

Este formato de livro está tão presente na cultara da humanidade de tal forma que é impossível pensarmos no fim do livro. Será que toda essa tecnologia emergente conseguirá extinguir as belas páginas palpáveis do livro de papel?

domingo, 17 de abril de 2011

FALANDO DE TI...

Por Rosival Evangelista


Eu poderia falar de ventos ou ventanias.

E falar de pesos e medidas.

De cara ou coroa, de versos e poesias.


Poderia falar de sussurros, de inquietações.

De pessoas boas e más.

E Poderia falar de vampiros, bruxas e magias.

Eu poderia falar de mundos, o meu o seu...
E de suas várias cores
Um preto, um branco ou até mesmo lilás.


Eu queria falar de perfumes, cheiros, aromas

Poderia falar de incertezas, de buscas,

E de amor com todos os seus sintomas
Poderia falar de seus olhos, o brilho que deles emana


E falaria de seu sorriso que me encanta

Poderia falar de músicas, de TV e filmes

Poderia falar de seus sentimentos e de sua vida privada

Mas nada disso importa...

Descobri que palavras para quem não quer ouvir

Às vezes não dizem nada.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

PARA LER NO BANHEIRO

Blue Bus - 13/04/2011 - Por Debora Schach

E se a embalagem do purificador de ar viesse com o trecho de um livro?

Na falta de um livro, as pessoas geralmente recorrem a qualquer objeto que esteja à mao para ler no banheiro. Pensando nisso, e querendo incentivar o hábito da leitura, a rede de livrarias '100 000 books', da Rússia, imprimiu trechos de best-sellers em purificadores de ar e espalhou os produtos em banheiros de shoppings, escritórios e restaurantes A açao fez tanto sucesso que a empresa agora decidiu vender os purificadores nas suas lojas.
 

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Eu já havia pensado nisso há muito tempo...quando eu falo dão risada. Mas a coisa é séria. Parabéns a 100.000 Books, espero que essa ideia chegue logo ao Brasil.

terça-feira, 12 de abril de 2011

O ASSALTO

Crônica por Carlos Drummond de Andrade

Na feira, a gorda senhora protestou a altos brados contra o preço do chuchu:
 
— Isto é um assalto!
Houve um rebuliço. Os que estavam perto fugiram. Alguém, correndo, foi chamar o guarda. Um minuto depois, a rua inteira, atravancada, mas provida de um admirável serviço de comunicação espontânea, sabia que se estava perpetrando um assalto ao banco. Mas que banco? Havia banco naquela rua? Evidente que sim, pois do contrário como poderia ser assaltado?

— Um assalto! Um assalto! — a senhora continuava a exclamar, e quem não tinha escutado, escutou, multiplicando a notícia. Aquela voz subindo do mar de barracas e legumes era como a própria sirena policial, documentando, por seu uivo, a ocorrência grave, que fatalmente se estaria consumando ali, na claridade do dia, sem que ninguém pudesse evitá-la.

Moleques de carrinho corriam em todas as direções, atropelando-se uns aos outros. Queriam salvar as mercadorias que transportavam. Não era o instinto de propriedade que os impelia. Sentiam-se responsáveis pelo transporte. E no atropelo da fuga, pacotes rasgavam-se, melancias rolavam, tomates esborrachavam-se no asfalto. Se a fruta cai no chão, já não é de ninguém; é de qualquer um, inclusive do transportador. Em ocasiões de assalto, quem é que vai reclamar uma penca de bananas meio amassadas?

— Olha o assalto! Tem um assalto ali adiante!

O ônibus na rua transversal parou para assun tar. Passageiros ergueram-se, puseram o nariz para fora. Não se via nada. O motorista desceu, desceu o trocador, um passageiro advertiu:

— No que você vai a fim do assalto, eles assaltam sua caixa.
Ele nem escutou. Então os passageiros também acharam de bom alvitre abandonar o veículo, na ânsia de saber, que vem movendo o homem, desde a idade da pedra até a idade do módulo lunar.
Outros ônibus pararam, a rua entupiu.

— Melhor. Todas as ruas estão bloqueadas. Assim eles não podem dar no pé.
 
— É uma mulher que chefia o bando!
 
— Já sei. A tal dondoca loira.
 
— A loura assalta em São Paulo. Aqui é morena.
 
— Uma gorda. Está de metralhadora. Eu vi.
 
— Minha Nossa Senhora, o mundo está virado!
 
— Vai ver que está caçando é marido.
 
— Não brinca numa hora dessas. Olha aí sangue escorrendo!
 
— Sangue nada, é tomate.
 
Na confusão, circularam notícias diversas. O assalto fora a uma joalheria, as vitrinas tinham sido esmigalhadas a bala. E havia jóias pelo chão, braceletes, relógios. O que os bandidos não levaram, na pressa, era agora objeto de saque popular. Morreram no mínimo duas pessoas, e três estavam gravemente feridas.

Barracas derrubadas assinalavam o ímpeto da convulsão coletiva. Era preciso abrir caminho a todo custo. No rumo do assalto, para ver, e no rumo contrário, para escapar. Os grupos divergentes chocavam-se, e às vezes trocavam de direção; quem fugia dava marcha à ré, quem queria espiar era arrastado pela massa oposta. Os edifícios de apartamentos tinham fechado suas portas, logo que o primeiro foi invadido por pessoas que pretendiam, ao mesmo tempo, salvar o pêlo e contemplar lá de cima. Janelas e balcões apinhados de moradores, que gritavam:

 
— Pega! Pega! Correu pra lá!
 
— Olha ela ali!
 
— Eles entraram na Kombi ali adiante!
 
— É um mascarado! Não, são dois mascarados!
 
Ouviu-se nitidamente o pipocar de uma metralhadora, a pequena distância. Foi um deitar-no-chão geral, e como não havia espaço uns caíam por cima de outros. Cessou o ruído, Voltou. Que assalto era esse, dilatado no tempo, repetido, confuso?

— Olha o diabo daquele escurinho tocando matraca! E a gente com dor-de-barriga, pensando que era metralhadora!
 
Caíram em cima do garoto, que sorveteu na multidão. A senhora gorda apareceu, muito vermelha, protestando sempre:
 
— É um assalto! Chuchu por aquele preço é um verdadeiro assalto!

DRAMATIZAÇÃO: VARIAÇÃO LINGUÍSTICA

A dramatização abaixo foi apresentada pelos colegas da faculdade sobre a variação linguística. Achei muito bem bolada, criativa e levanta uma discussão importantíssima acerca do respeito mútuo quanto às variações existente dentro de uma mesma língua portuguesa.

Aproveito para indicar a leitura, na íntegra, do livro do linguísta Marcos Bagno: Preconceito Linguísitico o que é, como se faz. Bagno aborda a inclusão social, por meio do não preconceito com os diversos falares presentes no país, inclusive o respeito quanto à diversidade cultural brasileira.

DRAMATIZAÇÃO

Por: Alécia Nunes, Ana Carla, Maurício Lima, Moisés Carneiro, Moisés Fiúza

Patativa - Gud moringa! Ou gud moring! Bão jú! Beiju ou Bujudo! Eita língua istranha sô! Tinha uns homão e umas muier caneludas, pálida que nem vela lá fora, acho que nunca viram o sorzão do sertão. Eles passavam pur mim e me cumprimentava assim, eu num intindia nada, mas, pela rivirência cum a cabeça paricia que era bão dia. sabe lá!

Ops! Perdão, Bão dia prefessor! Me adiscurpa o atrazo. É que a muier se isquiceu de botar o galo de quarto pra cantar num sabe?  Ô Rosarva abestada, tem medo do bicho de ferro.

Professor- Em primeiro lugar é bom dia e não bão dia! E não é prefessor, e sim professor, e tem mais, a mulher esqueceu-se de programar o despertador para alarmar.

Pat – Oia que cuincidencia! A sua também se isquiceu foi?

Prof– Ai meu Deus! Patativa... Patativa... O Senhor deveria acordar antes do galo cantar, pois, não sabes que o todo poderoso presta assistência aos que antes da ocasião própria levantam da cama ao alvorecer?

Pat – O prefessor fala istranho Né pessoá? Ah prefessor eu posso dizer isso mió intendido que o sinhor.  Oia o rudeio qui ele fez pra mo´de dizer; Patativa o sinhor num sabe que Deus ajuda a quem cedo madruga? Lá na roça a gente acordemo cum as galinha tacudo. E nem pricisa muier botar galo de quarto pra cantar. Quer insinar missa a vigário é? Ara sô!

Fiuza - É mesmo profissa! Quem Pinota cedo da cama, o mano lá de cima ajuda, é bem mais fácil de se arrumar nas idéias do que esse rolé que o senhor deu ai com as palavras.  Desse jeito o profissa parece até um almofadinha falando.

Ana Carla – Pô meu! Então a piriguete aqui tá na bruxa! Só acordo tarde. Vocês ainda entenderam esse troço, e eu que não captei nada que o gostosão ai falou.

Álecia – Você nunca entende nada mesmo. Mas no baile funk tu se liga nas letras tudo. Né não? Só as cachorras uuuuu, as preparadas uuuuu.

Ana Carla – Oia pra essa daí oia! Doida pra cair na dança com o professor. Eu tô ligada em você. Você quer me atravessar, mas, o professor já tá na mira. Se saia viu?

Prof – Calma lá pessoal! Não sejam presunçosos. Cada espécime dos primatas deve permanecer na subdivisão do caule de uma árvore ou arbusto que lhe pertencem. Eu sou o mestre e vocês são apenas alunos. Devem me escutar e me respeitar.
Pat – Ô cabra marrento! O sinhor num rispeita meu falar e inda fica ai Cheio de trimiliques pra dizer o ditado mais populoso do sertão. O dito cujo, Cada macaco no seu gaio. Cuidado pra num cair do seu hein? Ele tá muito arto. Ê nariz impinado. 

Fiuza – É isso ai profissa! Cada pivete na sua parada e as mamães continuam a sorrir numa boa. Se ligou na letra?


Ana Carla– É isso ai Teacher! Cada nega com seu nego e eu não quebro dente e nem desarrumo cabelo de nenhuma piranha. Sentiu o drama? Não? Faço você sentir depois da aula se quiser.

Álecia – Sai pra lá piriguetona oferecida! Que o professor não vai querer nada com você. Não é querido mestre?

Prof- Oh my God! Cada indivíduo cujo comportamento ou raciocínio denota alterações patológicas das faculdades mentais cultiva seus hábitos peculiares e obsessivos. Fazer o quê diante deste quadro?

Pat – Eita mania de infeitar e dá vortas pra falar um simpres povérbio popular. Cada louco cum suas mania. Sabe prefessor vou te dizer umas lera reá também. Iscuita só:



*Sem lábia formal, mas cum sabiduria
me faço intindido im todas região
inquanto que tu com tal maestria
de grama dramática, mas sem poesia
num quis me intendê aqui neste salão. 

Agora me arretiro e deixo verdades
Cunosco eu sei, que tu té pudia
fundi as linguage em pasto mió
Formal e informal, sem ter bestêró
E variar tudo em trocêra de nó.

Língua brasileira seu peste sem cabra
Rural, urbana, palácio ou chupana
Indígina, gringas em roças de cana
Do império a Husself ou Lulalalá
Não julga-se o bem nem o seu má falá.
                                   *Por: Moisés Carneiro

Mas de uma coisa eu sei. Falta poisia in teu mode de insiná.

Ô Minha Cumade Ana! O que o poeta da roça tem pra prosiá?

ANA - O POETA DA ROÇA? - Ele diz o seguinte:

Sou fio das mata, cantô da mão grossa,
Trabáio na roça, de inverno e de estio.
A minha chupana é tapada de barro,
Só fumo cigarro de páia de mío.

Sou poeta das brenha, não faço o papé
De argum menestré, ou errante cantô
Que veve vagando, com sua viola,
Cantando, pachola, à percura de amô.

Não tenho sabença, pois nunca estudei,
Apenas eu sei o meu nome assiná.
Meu pai, coitadinho! vivia sem cobre,
E o fio do pobre não pode istudá.

Meu verso rastêro, singelo e sem graça,
Não entra na praça, no rico salão,
Meu verso só entra no campo e na roça
Nas pobre paioça, da serra ao sertão.

Só canto o buliço da vida apertada,
Da lida pesada, das roça e dos eito.
E às vez, recordando a feliz mocidade,
Canto uma sodade que mora em meu peito.

Eu canto o cabôco com sua caçada,
Nas noite assombrada que tudo apavora,
Por dentro da mata, com tanta corage
Topando as visage chamada caipora.

Eu canto o vaquêro vestido de côro,
Brigando com o tôro no mato fechado
Que pega na ponta do brabo novio,
Ganhando lugio do dono do gado.

Eu canto o mendigo de sujo farrapo,
Coberto de trapo e mochila na mão,
Que chora pedindo o socorro dos home,
E tomba de fome, sem casa e sem pão.

E assim, sem cobiça dos cofre luzente,
Eu vivo contente e feliz com a sorte,
Morando no campo, sem vê a cidade,
Cantando as verdade das coisa do Norte.

(ASSARÉ, Patativa do. Cante lá que eu canto cá. 3 ed. Petrópolis: Vozes, 1980)

sexta-feira, 1 de abril de 2011

PROGRAMA VAI MOSTRAR VIDA E OBRA DE FERNANDO PESSOA DE FORMA INÉDITA

O Espaço Aberto Literatura é nesta sexta-feira (1), às 21h30.

O próximo Espaço Aberto Literatura vai mostrar a vida e obra de Fernando Pessoa, um dos maiores poetas da história da língua portuguesa, de uma forma como você nunca ouviu nem viu.

“Fernando Pessoa era um escritor sem imaginação”, que se baseava em características de amigos, parentes e conhecidos para compor seus personagens. Esta é uma das polêmicas afirmativas do escritor e advogado José Paulo Cavalcanti Filho, autor do livro "Fernando Pessoa, uma quase autobiografia". Ele passou cerca de dez anos entre Brasil e Portugal, pesquisando a vida do grande poeta português.


Cavalcanti Filho revela que Pessoa era tremendamente vaidoso, a ponto de só fazer suas roupas no melhor alfaiate de Lisboa, embora ganhasse pouco e vivesse sempre com dívidas. A principal novidade do livro é a descoberta de mais 55 heterônimos, além dos quase 80 que já eram de conhecimento público. O Espaço Aberto Literatura desta semana, gravado na recém-inaugurada exposição “Fernando Pessoa – plural como o universo”, em cartaz no Rio de Janeiro, traz ainda depoimentos de Carlos Felipe Moisés e Richard Zenith, especialistas e curadores da mostra. O programa é nesta sexta-feira (1), às 21h30

Fonte: GloboNews


sexta-feira, 25 de março de 2011

A IMPORTÂNCIA DA LEITURA

Fonte: Estadão

Imagine uma sala com prateleiras e estantes repletas de livros de todos os tipos: romances, poesias, crônicas, contos, ensaios, dicionários e enciclopédias. No centro, uma mesa de estudos, onde um aluno faz sua lição de casa. Nos lares brasileiros, essa cena ainda é rara: somos o país onde as crianças têm menos livros em casa. É o que mostra um levantamento inédito do Movimento Todos Pela Educação, com base no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) de 2010, que analisou 65 países. Cerca de 39% dos estudantes brasileiros declararam possuir, no máximo, dez obras literárias.

A pesquisa mostra ainda que jovens que convivem com livros em casa apresentaram um desempenho melhor nas provas do programa.

Tiago Queiroz/AE
Hábito. Michelle la Marck, de 14 anos, foge dos resumos e busca sempre a íntegra das obras; ela recebeu na escola um certificado de quem alugou mais livros

Com obras na estante, nota aumenta em até 17%

Estudo do Todos Pela Educação mostra que a quantidade de livros em casa acompanha uma melhora no desempenho no Pisa

 

“Um leitor crítico tem mais potencial na escola, especialmente nas disciplinas de ciências humanas. Um exemplo é o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem): se não souber interpretar o texto, não adianta saber o conceito”, opina Luiz Chinan, presidente do Instituto Canal do Livro.

Para tornar as obras atraentes, as escolas investem em diversas iniciativas. No Colégio São Domingos, na zona oeste paulistana, por exemplo, os alunos fazem viagens à terra natal dos autores. Cordisburgo, no norte de Minas Gerais onde nasceu Guimarães Rosa, e o sul da Bahia, onde Jorge Amado ambientou suas histórias, são destinos certos. “O livro tem de fazer sentido. Só assim o aluno se interessa de verdade”, afirma o diretor Silvio Barini Pinto.

Promover a interdisciplinaridade, relacionando literatura com geografia e história, e trabalhar parcerias com as famílias são outros recursos explorados pelas escolas. “Com o repertório mais amplo, o aluno transporta conhecimento para sua vida escolar e para o mundo, contribuindo como cidadão”, conta Gisele Magnossão, diretora pedagógica do Colégio Albert Sabin.

Resultados. Os alunos que leem por prazer afirmam que é nítido o impacto positivo do hábito na vida escolar. Eliakim Ferreira Oliveira, de 15 anos, atribui sua conquista - uma bolsa no colégio Santa Maria - ao “vício” em livros. Ex-aluno da rede pública, ele se destacou por seu desempenho e conseguiu a vaga na escola, uma das melhores de São Paulo segundo o Enem. 

“Ler bastante foi crucial na minha vida”, diz ele, que leu A Evolução da Física, de Albert Einstein e Leopold Infeld, aos 9 anos. Entre os autores que já leu estão Friedrich Nietzsche, James Joyce, John Keats e até Dan Brown (O Código da Vinci).

Brasil: baixa posição
A média do País no Pisa subiu 33 pontos entre 2000 e 2009. Mas o Brasil ainda figura no 53º lugar entre 65 países e a maioria dos alunos não passou do primeiro dos seis níveis de conhecimento. 

PRESTE ATENÇÃO
1.Ler histórias com os filhos em casa é uma das principais dicas dos especialistas para despertar o interesse por livros nas crianças.

2.Os pais devem acompanhar, em parceria com a escola, como está a leitura dos filhos. Para isso, o contato com os professores é essencial.

3.Levar as crianças para visitar livrarias é uma boa opção. Presenteá-las com livros também é uma prática indicada pelos educadores.

4.Passeios por bibliotecas, públicas ou privadas, também ajudam a despertar o interesse. A escola deve estimular e pode acompanhar a ida.

5.Estimular a comunicação escrita com os filhos, por meio de bilhetes e e-mails, também é um modo de influenciar a criança a ler.

6.Além de livros, vale a pena incentivar as crianças a ler de tudo: jornais, revistas, gibis e até folhetos. Assim elas se sentem “parte do mundo”.

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Nota:
As escolas, em sua maioria, não formam leitores, talvez por não estarem preparadas para trabalhar com a literatura de forma prazerosa e desvinculada de uma atividade didática, compulsória, com o intuito de tão somente avaliar o aluno, afastando-o ainda mais do livros. Porém, a escola ainda é o principal canal a quem é confiada a tarefa de iniciar a criança no mundo plural e infinito da leitura, e, quando esse trabalho de base não é realizado satisfatoriamente, fica ainda mais difícil depois.
Quanto aos pais, não digo que deveria ser sua a responsabilidade, mas digo sim ,que deveria ser seu maior prazer. Satisfação em revelar para o filho o mundo maravilhoso dos livros., aguçar sua imaginação, sua curiosidade e criatividade. Vejamos o que a professora Marisa Lajolo diz:

Ninguém nasce sabendo ler: aprende-se a ler à medida que se vive. Se, geralmente, se aprende a ler livros nos bancos da escola, outras leituras se aprendem por aí, na chamada escola da vida: a leitura do vôo das arribações que indica a seca - como sabe quem lê ‘Vidas Secas’, de Graciliano Ramos - independe da aprendizagem formal e se perfaz na interação cotidiana com o mundo das coisas e dos outros. Como entre tais coisas e tais outros se incluem também livros e leitores, fecha-se o círculo: lê-se para entender o mundo, para viver melhor.

Em nossa cultura, quanto mais abrangente a concepção de mundo e de vida, mais intensamente se lê, numa espiral quase sem fim, que pode e deve começar na escola, mas não pode (nem costuma) encerrar-se nela. Do mundo da leitura a leitura do mundo, o trajeto se cumpre sempre, refazendo-se, inclusive, por um vice-versa que transforma a leitura em prática circular e infinita. Como fonte de prazer e de sabedoria, a leitura não esgota seu poder de sedução nos estreitos círculos da escola. (LAJOLO, M. Do mundo da leitura para a leitura do mundo. São Paulo: Ática, 1999)

A BOLA E O LIVRO

Por Galeno Amorim
O sonho de Edward era ser jogador de futebol. Começaria, por certo, no seu glorioso Mirassol Futebol Clube e, depois, quem sabe, poderia jogar num time grande. Ou mesmo virar ídolo do escrete nacional... Sonho, enfim, era o que não faltava.

E por falta de treino é que não lhe escaparia a chance. Todo santo dia ele e um bando de garotos sem eira nem beira praticavam com fervor quase religioso, rumo à glória praticamente certa.

Naquela metade de século 20, este era o sonho dele e de milhões de Edwards pelo ainda não País do futebol.

E, de certa forma, não deixa de ser verdade que foi graças ao futebol - ou, melhor, a uma partida de futebol - que a vida começou a dar uma guinada pra ele. Tudo começou naquele dia em que Edward, menino de não mais do que oito anos, participava de uma disputadíssima pelada no pátio da escola.

Até que em determinada altura da peleja um perna de pau qualquer dá um tremendo chutão. A bola vai parar lá longe. Escalado pra resgatar a preciosa, que se enfiara por uma maldita janela aberta, lá foi o jogador agora travestido de gandula.

E o que viu, do outro lado, chamou a atenção de Edward. E tanto que ele jamais voltou para terminar a partida.

Nunca aquele menino havia visto tanto livro junto. Aquilo, ele que não era bobo nem nada logo percebeu, era uma biblioteca. E, justo naquela hora, chegava à escola uma penca de livros novinhos em folha.

Edward pegou um deles por acaso - o título da obra era "A Banana que Comeu o Macaco", disso jamais ele se esqueceria pelo resto de sua vida. Em um ano, Edward leria nada menos do que 250 livros.

Aos poucos, também já escrevia melhor. Um dia, o professor mandou, sem que ele soubesse, um texto de sua autoria para participar de um concurso. E não é que o rapazote faturou o primeiro lugar?!

Edward passou a gostar cada vez mais dessa história de leitura. Abiscoitou um outro prêmio aqui, outro lá, e até passou a ganhar algum dinheiro com isso.

Um dia foi prestar concurso para o Banco do Brasil, disputado quase a tapa por jovens interessados numa carreira estável e respeitada. Só que, na hora da prova, ele tirou foi um belo dum zero em Contabilidade. Graças aos livros que se habituara a ler, conseguiu livrar a cara, com nota dez em todas as outras matérias.

De novo os livros mudariam o rumo de sua vida: um dia Edward corrigiu, sem qualquer pretensão, a professora do Cursinho. Sua argumentação era tão consistente que a escola não teve dúvidas: demitiu a professora e contratou o aluno no lugar dela.

Para dar conta das aulas de Latim na faculdade, o moço foi buscar ajuda em um sebo paulistano. Como o dinheiro era curto, fez vários resumos. Quando se deu conta, já tinha escrito seu próprio livro - o primeiro de uma longa série ainda por vir.

Edward e os livros pareciam mesmo fadados uns ao outro. E decidiu ir de vez atrás deles e abraçar a carreira de linguista. Acabou ficando famoso. Hoje em dia, não há faculdade de Letras no País que não estude ou não tenha como referência pelo menos uma obra de Semiótica e Linguística do professor Edward Lopes.

- A arte é eterna, mas a Ciência, não... - ele ensina.

A seleção brasileira de futebol pode ter perdido um talento incerto. Mas o País acabaria por ganhar um tarimbado craque das letras.

AS VÁRIAS FACES DE PESSOA

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Advogado pernambucano escreve livro sobre as muitas personas assumidas por Pessoa



Fruto de dez anos de pesquisas sobre o poeta português, Fernando Pessoa: Uma quase autobiografia (Record, 736 pp., R$ 79,90), escrito pelo advogado pernambucano José Paulo Cavalcanti Filho, traz a referência das muitas personas assumidas por Pessoa ao longo de sua carreira literária. Seus heterônimos, muitos deles desconhecidos do grande público, revelam-se no livro com detalhes, apresentando a produção e as origens de cada um desses que habitaram o imaginário e a escrita do poeta. Mergulhado na vida do português, Cavalcanti foi compreendendo melhor aquele homem inquieto, suas angústias e a dimensão de sua obra. Em Lisboa, converso
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u com pessoas que o conheceram, tocou papéis escritos por ele e visitou as casas onde morou.

domingo, 20 de março de 2011

ESPERANDO A QUARTA-FEIRA DE CINZAS...

Enquanto o mundo volvia os olhos para o terremoto no Japão, os brasileiros, e sobretudo, os baianos (detentor do título de maior festa de rua do mundo), estavam entretidos na festa da carne.

Veja o vídeo, corajoso e oportuno da repórter paraibana, Rachel Sheherazade sobre sua idignação quanto ao carnaval. E nós que não vamos a estas festas, ficamos refém em nossa própria casa, sem poder sair e sermos massacrados pela multidão, ou se refugiar em outros lugares.

Sinais do fim – todos de uma vez

 Por Michelson Borges

Quando são mencionados os sinais da volta de Jesus, algumas pessoas respondem mais ou menos assim: “Terremotos, fome e violência sempre existiram.” É verdade, muitas dessas mazelas sempre existiram, desde que Adão e Eva foram expulsos do paraíso após desobedecerem a Deus. Ao que tudo indica, terremotos são efeitos secundários do dilúvio, que causou a fragmentação da crosta terrestre em grandes placas mais ou menos instáveis. O que muitos não estão se dando conta é da intensidade e ocorrência simultânea de todos os sinais numa mesma época. É como as dores do parto que vão se tornando mais intensas e sentidas a intervalos cada vez menores à medida que vai chegando o momento de dar à luz. Jesus breve voltará para dar fim à história de pecado e para enxugar dos olhos toda a lágrima (Ap 21:4).

A Revista do Ancião (CPB) de abril-junho de 2011 traz um esboço de sermão interessante preparado por Frank Breaden, da Austrália. O título é “Dez Grandes Sinais da Volta de Jesus”. Confira a lista:

1. O sinal dos “escarnecedores” (2Pe 3:3, 4). Pedro anunciou que as condições prevalecentes nos “últimos dias” seriam de descrença a respeito dos sinais da vinda de Cristo. Sem dúvida, isso é verdade hoje. Cada escarnecedor moderno é um sinal que fala e se move. O cristão pode dizer ao escarnecedor: “Amigo, Pedro fez uma predição a seu respeito. Você é um dos últimos sinais que estou vendo!”

2. O sinal da “guerra” (Mt 24:6, 7). O século 20 testemunhou as duas maiores guerras da história (1914-1918; 1939-1945). No total, mais de 70 milhões de pessoas morreram, ficaram feridas ou desapareceram). O século 20 foi o mais sangrento já registrado. [E as guerras continuam...]

3. O sinal da “fome” (Mt 24:7). Os últimos cem anos testemunharam quatro das maiores fomes de toda a história (Rússia 1921, 1933; China 1928-1930; Bangladesh 1943-1944. Estima-se que cerca de 20 milhões de pessoas morreram). [Leia mais aqui.]

4. O sinal da “pestilência” (Mt 24:7). O século passado testemunhou também uma das maiores pestilências de toda a sua história (“Gripe Espanhola” de 1918. Estima-se 21 milhões de vítimas). [Isso sem contar o iminente risco da superbactéria.]

5. O sinal dos “terremotos” (Mt 24:7). O último século ainda testemunhou dois dos maiores terremotos da história (China, 1920, 180 mil mortos; Japão, 1923. Total de feridos 1,5 milhão, dos quais 200 mil morreram). O terremoto no Japão foi descrito na ocasião como a “maior catástrofe desde o dilúvio”. [Faltou mencionar os terríveis terremotos do Haiti, no ano passado, e o quarto maior terremoto da história, ocorrido neste mês, no Japão, com intensidade máxima de 9 graus na escala Richter.]

6. O sinal dos “tempos difíceis” (2Tm 3:1-3). A despeito dos equipamentos mais engenhosos e caros para combater o crime, a violência, assassinato, roubo e estupro, estes estão aumentando em proporções alarmantes. Os governos podem restringir, mas não eliminar esses problemas.

7. O sinal do “temor” (Lc 21:25-26). Desde o advento da bomba nuclear, nosso sonho de paz e segurança se transformou em terrível pesadelo, quando o grande conhecimento que os seres humanos adquiriram deveria lhes garantir segurança. [O terrorismo crescente também gera medo.]

8. Sinal dos “Dias de Noé” (Mt 24:37-39). Nos dias de Noé, o avanço e grande conhecimento da civilização foram ofuscados pela violência desenfreada e pela escandalosa imoralidade. O mesmo ocorre hoje. [Mundo torto.]

9. O sinal do “evangelho” (Mt 24:14). Durante os últimos anos, por meio da página impressa, da internet, rádio e televisão, a pregação do evangelho em escala mundial se tornou uma possibilidade real. Um único homem pode atingir uma audiência de dezenas e mesmo centenas de milhões de pessoas! A Bíblia está traduzida em mais de 1.300 línguas e é distribuída a uma média de 100 milhões de cópias por ano.

10. O sinal “estas coisas” (Lc 21:28-32). Quando confrontadas com a impressiva relação de sinais, algumas pessoas argumentam: “Mas crimes, guerras, terremotos e pestilências sempre ocorreram. Não há nada de anormal nisso; portanto, como tratá-las como sinais? Além do mais, pessoas sinceras no passado esperaram a volta do Senhor em seus dias e foram desapontadas. Elas interpretaram mal os sinais. Não poderíamos estar cometendo o mesmo equívoco?” Aqueles que levantam essa objeção deixam de considerar uma diferença muitíssimo significativa entre a nossa geração e as gerações passadas: hoje, pela primeira vez, desde que Jesus ascendeu ao Céu, todos os principais sinais preditos para o tempo do fim estão sincronizados! Um ou mais desses sinais podem ter ocorrido nas gerações passadas, mas nunca todos eles ocorreram simultaneamente, como vemos hoje!

Conclusão

1. Jesus nunca nos pediu que crêssemos na proximidade de Sua vinda com base apenas em um sinal. Um floco de neve não provoca uma avalanche. Mas quando todos os sinais rapidamente se multiplicam, dando assim seu testemunho acumulado, se transformam em uma avalanche de irresistível poder. Portanto, inequivocamente esses sinais da vinda de Cristo não deixam margem para que pessoas inteligentes deixem de reconhecê-los. São tão claros como se Deus estivesse falando por intermédio dos trovões ou se estivesse escrevendo em letras gigantescas no céu!

2. Por que você imagina que Deus nos deu a oportunidade de ouvir essas maravilhosas boas-novas? Para que pudéssemos “discernir os sinais dos tempos” e estar prontos para receber Jesus com avidez e alegria.

3. Lucas 21:28: “Ora, quando estas coisas começarem a acontecer, olhai para cima e levantai a vossa cabeça; porque a vossa redenção está próxima.”

''A'' que antecede plural não é craseado

Por Thaís Nicoleti
 
Mais uma vez a crase. Vale lembrar que a crase é a fusão da preposição “a” com o artigo feminino “a” – pelo menos, na maior parte das vezes. Por esse motivo, é preciso conhecer o emprego tanto da preposição quanto do referido artigo.

A preposição “a” carrega diversos significados, entre os quais o de movimento (daí introduzir as expressões de lugar que se seguem a verbos de movimento) e o de destinatário de ação (é, por excelência, a preposição do objeto indireto).

Assim, encontraremos construções como “ir ao cinema”, “chegar ao trabalho”, “entregar o documento a alguém”, “dizer algo a alguém” etc. Se o termo que se segue a essa preposição for masculino, ocorrerá a combinação “ao”; se for feminino, ocorrerá a crase (“à”), que equivale à hipotética combinação “aa”. Daí construções como “ir à igreja”, “chegar à festa”, “entregar o documento à diretora”, “dizer algo à mãe” etc.

Pode ocorrer, entretanto, que o substantivo que se segue à preposição “a” não seja antecedido de artigo. 
Isso normalmente ocorre quando esse substantivo é posto no plural com a intenção de acentuar seu sentido geral. Assim: “Referia-se a homens e a mulheres de bom caráter”.

No fragmento abaixo, o acento grave (indicador da crase) aparece no “a” que antecede um plural, coisa que não deve ocorrer em hipótese alguma, dado que, se houvesse um artigo, este estaria no plural. Observe o fragmento:

“O Consulado brasileiro em Tóquio preparou duas viagens à cidades atingidas pelo terremoto e tsunami que assolaram o Japão na última sexta-feira (11).”

Há duas formas de corrigir o fragmento: “viagens a cidades atingidas pelo terremoto”  ou “viagens às cidades atingidas pelo terremoto”. Esta última parece ser a mais adequada, considerando-se que o consulado vá promover viagens a todas as cidades atingidas, A presença do artigo indica a totalidade das cidades atingidas, enquanto a sua ausência pode conferir imprecisão à informação (não estaria claro se as viagens seriam feitas a todas as cidades ou a apenas algumas delas).

Assim, seguem as duas possibilidades de correção:

O consulado brasileiro em Tóquio preparou duas viagens às cidades atingidas pelo terremoto e pelo tsunami que assolaram o Japão na última sexta-feira (11).

O consulado brasileiro em Tóquio preparou duas viagens a cidades atingidas pelo terremoto e pelo tsunami que assolaram o Japão na última sexta-feira (11).


quinta-feira, 17 de março de 2011

Onde ficam as vírgulas?

Por Thaís Nicoleti

Muita gente apela para a intuição na hora de colocar as vírgulas, mas nem sempre os resultados dessa prática são satisfatórios. Há certas regras que, seguidas, facilitam a compreensão do texto.

O aposto explicativo, por exemplo, deve ficar entre vírgulas. Esse tipo de aposto contém uma explicação acerca do termo anterior, ou seja, uma informação de caráter suplementar. Assim: “A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, receberá o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama”. Note que seria possível eliminar os nomes Dilma Rousseff e Barack Obama sem prejuízo do sentido da frase (A presidente do Brasil receberá o presidente dos Estados Unidos), pois eles são meramente explicativos. Esse tipo de elemento fica entre vírgulas.

Veja o que ocorre no fragmento abaixo:

Obama e a família – a primeira-dama Michelle Obama e as filhas Malia e Sasha–  estarão em Brasília, no próximo dia 19, e no Rio de Janeiro, dia 20.

Entre travessões está explicado o termo “família” (de Obama). Trata-se, portanto, de um aposto. Até aí, sem problemas. Observe, porém, que, no interior do aposto, há outros apostos. Seria possível dizer apenas 

Obama e a família – a primeira-dama e as filhas do casal– estarão em Brasília...

Os nomes das pessoas funcionam como apostos explicativos. Deveriam, portanto, estar entre vírgulas. Assim:

Obama e a família – a primeira-dama, Michelle Obama, e as filhas, Malia e Sasha–  estarão em Brasília...

A vírgula que encerraria o segundo aposto (depois de Sasha) desaparece em virtude da presença do travessão.

O problema de vírgulas do fragmento, no entanto, ainda não está resolvido. Os adjuntos adverbiais de tempo estão desnecessariamente separados por vírgulas. Como estão depois de adjuntos adverbiais de lugar, essas vírgulas são dispensáveis. Assim:

... estarão em Brasília no próximo dia 19 e no Rio de Janeiro no dia 20.

Observe que, quando os adverbiais são da mesma natureza, usam-se as vírgulas. Assim:

Amanhã, às 14h,será realizada a reunião.

Os dois adjuntos adverbiais indicam tempo, o primeiro é mais geral (amanhã), o segundo é mais preciso (às 14h).

Abaixo, o fragmento com as vírgulas recolocadas:

Obama e a família –  a primeira-dama, Michelle Obama, e as filhas do casal, Malia e Sasha –  estarão em Brasília no próximo dia 19 e no Rio de Janeiro no dia 20.

sexta-feira, 4 de março de 2011

MORRE AOS 102 ANOS VIÚVA DE GUIMARÃES ROSA

Aracy Moebius de Carvalho Guimarães Rosa, viúva do escritor João Guimarães Rosa (1908-1967), morreu na manhã de (03/03/11) de causas naturais, em São Paulo.

Ela tinha 102 anos e sofria do Mal de Alzheimer.

 

Aracy e Rosa se conheceram em Hamburgo, Alemanha, às vésperas da Segunda Guerra, quando ambos trabalhavam no consulado brasileiro na cidade.


Encarregada da seção de vistos, Aracy ajudou dezenas de famílias judias a fugirem da Alemanha.


O papel de Aracy foi reconhecido com uma placa em seu nome no Jardim dos Justos, no Museu do Holocausto de Jerusalém. É homenageada ainda no Museu do Holocausto em Washington.


Aracy ficou imortalizada na literatura brasiliera com a dedicatória que Guimarães Rosa dedicou a ela no livro "Grande Sertão: Veredas" (1956): "A Aracy, minha mulher, Ara, pertence este livro".


Ela deixa quatro netos e oito bisnetos.


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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

MORRE O ESCRITOR GAÚCHO MOACYR SCLIAR

Escritor teve falência múltipla de órgãos e morreu à 1h de domingo (27).
Desde 2003, Scliar era membro da Academia Brasileira de Letras.

O escritor gaúcho Moacyr Scliar, 73 anos, morreu na madrugada deste domingo (27) no Hospital de Clínicas em Porto Alegre, por falência múltipla de órgãos devido às consequências de um acidente vascular cerebral (AVC).

Scliar havia sofrido um AVC na madrugada de 16 de janeiro enquanto se recuperava de uma cirurgia no intestino. De acordo com a assessoria de imprensa do hospital, o escritor morreu à 1h, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ele deve ser velado neste domingo na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, a partir das 14h. O sepultamento será na segunda-feira (28), em cerimônia reservada a familiares e amigos.

Moacyr Jaime Scliar nasceu em 23 de março de 1937, em Porto Alegre. Era casado com Judith, com quem teve um filho, Roberto. Seus pais, José e Sara Scliar, oriundos da Bessarábia (Rússia), chegaram ao Brasil em 1904. Formado em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, era especialista em Saúde Pública e Doutor em Ciências pela Escola Nacional de Saúde Pública, tendo exercido a profissão junto ao Serviço de Assistência Médica Domiciliar e de Urgência.

Seu primeiro livro, publicado em 1962, foi "Histórias de médico em formação", contos baseados em sua experiência como estudante. Em 1968, publicou "O carnaval dos animais", de contos, que considerava de fato sua primeira obra.

Publicou mais de 70 livros de diversos gêneros literários – entre eles, os romances “O Exército de um homem só”, “A estranha nação de Rafael Mendes” e “O centauro no jardim” – e teve textos adaptados para cinema, televisão, rádio e teatro, inclusive no exterior. Era colaborador dos jornais Zero Hora e Folha de S. Paulo. Desde 2003, era membro da Academia Brasileira de Letras (ABL). Scliar ganhou três vezes o Prêmio Jabuti – a mais recente, em 2009, com o romance “Manual da paixão solitária”.


Fonte: G1