quinta-feira, 19 de maio de 2011

QUINO, DESILUDIDO COM O SÉCULO...

Quino, o cartunista argentino autor da Mafalda, desiludido com o rumo deste século no que diz respeito a valores e educação, deixou impresso no cartum o seu sentimento:

















Só estamos no início do século. O que será de nós e de nossos filhos nas próximas décadas?

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Cristovam Buarque critica livros didáticos que admitem ensino com erros de gramática

Fonte: Estadão

Em discurso nesta segunda-feira, 16, no Plenário, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) criticou livros didáticos autorizados pelo Ministério da Educação (MEC) que admitem o ensino da língua portuguesa com erros de gramática. Assim, de acordo com o senador, o Brasil vai criar duas línguas: o Português dos condomínios e dos shoppings e o Português das ruas e dos campos.


"Permitir a criação de dois idiomas é quebrar o que há de mais substancial na unidade de um povo", afirmou.



O senador criticou o argumento de que é preciso quebrar o preconceito contra aqueles que não falam bem a língua oficial e afirmou que o ideal é ensinar a todos o português correto. Para Cristovam Buarque, o povo e a elite precisam aprender a língua oficial e sem erros. O senador lembrou que nos concursos públicos e vestibulares não são aceitos os erros de gramática.


"Não se trata de sotaque, nem de vocabulário, mas de gramática. Permitir duas línguas é fortalecer o apartheid brasileiro."

Leia na íntegra o discurso de Cristovam Buarque: Clique aqui

segunda-feira, 16 de maio de 2011

POLÊMICA OU IGNORÂNCIA?

Para ampliar nosso conhecimento e discussão, estou postando abaixo o texto que Marcos Bagno escreveu no site oficial dele referente a questão do livro que o MEC adotou.

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Marcos Bagno
Universidade de Brasília

DISCUSSÃO SOBRE LIVRO DIDÁTICO SÓ REVELA IGNORÂNCIA DA GRANDE IMPRENSA


Para surpresa de ninguém, a coisa se repetiu. A grande imprensa brasileira mais uma vez exibiu sua ampla e larga ignorância a respeito do que se faz hoje no mundo acadêmico e no universo da educação no campo do ensino de língua.

Jornalistas desinformados abrem um livro didático, leem metade de meia páginae saem falando coisas que depõem sempre muito mais contra eles mesmos doque eles mesmos pensam (se é que pensam nisso, prepotentementeconvencidos que são, quase todos, de que detêm o absoluto poder da informação).

Polêmica? Por que polêmica, meus senhores e minhas senhoras? Já faz mais de quinze anos que os livros didáticos de língua portuguesa disponíveis no mercado e avaliados e aprovados pelo Ministério da Educação abordam o tema da variação linguística e do seu tratamento em sala de aula. Não é coisa de petista, fiquem tranquilas senhoras comentaristas políticas da televisão brasileira e seus colegas explanadores do óbvio.

Já no governo FHC, sob a gestão do ministro Paulo Renato, os livros didáticos de português avaliados pelo MEC começavam a abordar os fenômenos da variação linguística, o caráter inevitavelmente heterogêneo de qualquer língua viva falada no mundo, a mudança irreprimível que transformou, tem transformado, transforma e transformará qualquer idioma usado por uma comunidade humana. Somente com uma abordagem assim as alunas e os alunos provenientes das chamadas “classes populares” poderão se reconhecer no material didático e não se sentir alvo de zombaria e preconceito. E, é claro,  com a chegada ao magistério de docentes provenientes cada vez mais dessas mesmas “classes populares”, esses mesmos profissionais entenderão que seu modo de falar, e o de seus aprendizes, não é feio, nem errado, nem tosco, é apenas uma língua diferente daquela – devidamente fossilizada e conservada em formol – que a tradição normativa tenta preservar a ferro e fogo, principalmente nos últimos tempos, com a chegada aos novos meios de comunicação de pseudoespecialistas que, amparados em tecnologias inovadoras, tentam vender um peixe gramatiqueiro para lá de podre.

Enquanto não se reconhecer a especificidade do português brasileiro dentro doconjunto de línguas derivadas do português quinhentista transplantados para as colônias, enquanto não se reconhecer que o português brasileiro é uma língua em si, com gramática própria, diferente da do português europeu, teremos de conviver com essas situações no mínimo patéticas.

A principal característica dos discursos marcadamente ideologizados (sejam eles da direita ou da esquerda) é a impossibilidade de ver as coisas em perspectiva contínua, em redes complexas de elementos que se cruzam e entrecruzam, em ciclos constantes. Nesses discursos só existe o preto e o branco, o masculino e o feminino, o mocinho e o bandido, o certo e o errado e por aí vai.

Darwin nunca disse em nenhum lugar de seus escritos que “o homem vem do macaco”. Ele disse, sim, que humanos e demais primatas deviam ter se originado de um ancestral comum. Mas essa visão mais sofisticada não interessava ao fundamentalismo religioso que precisava de um lema distorcido como “o homem vem do macaco” para empreender sua campanha obscurantista, que permanece em voga até hoje (inclusive no discurso da candidata azul disfarçada de verde à presidência da República no ano passado).

Da mesma forma, nenhum linguista sério, brasileiro ou estrangeiro, jamais disse ou escreveu que os estudantes usuários de variedades linguísticas mais distantes das normas urbanas de prestígio deveriam permanecer ali, fechados em sua comunidade, em sua cultura e em sua língua. O que esses profissionais vêm tentando fazer as pessoas entenderem é que defender uma coisa nãosignifica automaticamente combater a outra. Defender o respeito à variedade linguística dos estudantes não significa que não cabe à escola introduzi-los aomundo da cultura letrada e aos discursos que ela aciona. Cabe à escola ensinar aos alunos o que eles não sabem! Parece óbvio, mas é preciso repetir isso a todo momento.

Não é preciso ensinar nenhum brasileiro a dizer “isso é para mim tomar?”, porque essa regra gramatical (sim, caros leigos, é uma regra gramatical) já faz parte da língua materna de 99% dos nossos compatriotas. O que é preciso ensinar é a forma “isso é para eu tomar?”, porque ela não faz parte da gramática da maioria dos falantes de português brasileiro, mas por ainda servir de arame farpado entre os que falam “certo” e os que falam “errado”, é  dever da escola apresentar essa outra regra aos alunos, de modo que eles – se julgarem pertinente, adequado e necessário – possam vir a usá-la TAMBÉM. O problema da ideologia purista é esse também.

Seus defensores não conseguem admitir que tanto faz dizer assisti o filme quanto assiti ao filme, que a palavra óculos pode ser usada tanto no singular (o óculos, como dizem 101% dos brasileiros) quanto no plural (os óculos, como dizem dois ou três gatos pingados).

O mais divertido (para mim, pelo menos, talvez por um pouco de masoquismo) é ver os mesmos defensores da suposta “língua certa”, no exato momento em quea defendem, empregar regras linguísticas que a tradição normativa que eles acham que defendem rejeitaria imediatamente. Pois ontem, vendo o Jornal das Dez, da GloboNews, ouvi da boca do sr. Carlos Monforte essa deliciosa pergunta: “Como é que fica então as concordâncias?”. Ora, sr. Monforte, eu lhe devolvo a pergunta: “E as concordâncias, como é que ficam então?

O ÚNICO PATRMÔNIO QUE NINGUÉM TIRA DO SER HUMANO É O CONHECIMENTO

Depoimento de Lázaro Ramos no Educar para Crescer

O ator conta que que a Educação lhe ajudou a estar sempre atento e curioso

Na escola, Lázaro Ramos descobriu estratégias para lidar com as mais diversas dificuldades

Gosto muito de falar uma frase pois ela é uma certeza para mim: o único patrimônio que ninguém tira do ser humano é o conhecimento. Por isso, a escola é tão importante. Estudei em colégio particular e também em público e lá descobri o prazer da leitura, aprendi a compartilhar alegrias e descobri estratégias para lidar com as mais diversas dificuldades.

A Educação escolar agregada com a dada pela minha família me deixou preparado para enfrentar o mundo fora dos muros da escola e do quintal de casa. Na escola eu também descobri as minhas possibilidades por causa de educadores tão apaixonados pelo que faziam.

A Educação me deu preparação para o mercado de trabalho. Me ajudou a descobrir o meu talento e acima de tudo me ensinou a estar sempre atento e curioso.

Lázaro Ramos é ator e cineasta. Atuialmente está no ar na novela Insensato Coração, da TV Globo

 

MEC DISTRIBUI LIVROS QUE ACEITA ERROS DE PORTUGUÊS

Fonte: O Globo

O Programa Nacional do Livro Didático, do Ministério da Educação (MEC), distribuiu a cerca de 485 mil estudantes jovens e adultos do ensino fundamental e médio uma publicação que faz uma defesa do uso da língua popular, ainda que com incorreções. Para os autores do livro, deve ser alterado o conceito de se falar certo ou errado para o que é adequado ou inadequado. Exemplo: "Posso falar 'os livro'?' Claro que pode, mas dependendo da situação, a pessoa pode ser vítima de preconceito linguístico" - diz um dos trechos da obra "Por uma vida melhor", da coleção "Viver, aprender". 

Outras frases citadas e consideradas válidas são "nós pega o peixe" e "os menino pega o peixe". Uma das autoras do livro, Heloisa Ramos afirmou, em entrevista ao "Jornal Nacional", da Rede Globo, que não se aprende a língua portuguesa decorando regras ou procurando palavras corretas em dicionários. 

- O ensino que a gente defende é um ensino bastante plural, com diferentes gêneros textuais, com diferentes práticas de comunicação para que a desenvoltura linguística aconteça - disse Heloisa Ramos. 

Em nota encaminhada ao "Jornal Nacional", o Ministério da Educação informou que a norma culta da língua será sempre a exigida nas provas e avaliações, mas que o livro estimula a formação de cidadãos que usem a língua com flexibilidade. O propósito também, segundo o MEC, é discutir o mito de que há apenas uma forma de se falar corretamente. Ainda segundo o ministério, a escrita deve ser o espelho da fala.


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Nota: 
Vamos concordar que a variação linguística deve ser respeitada levando em conta que todo aluno traz consigo conhecimentos prévios apreendidos no seu meio de convívio. Porém devemos orientá-los ao que o País estabeleceu como padrão, visto que o próprio MEC que adotou este livro, vai cobrar mais tarde dos alunos a norma culta, através do vestibular e do ENEM.

Se como sistema, os colégios e professores se utlizam de livros que concordam com os "erros", quem irá instruir esses alunos? Temos que analisar os paradigmas que norteiam a língua portuguesa, ou será que estamos encaminhando para uma revolução no mundo das letras?

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A escritora Ana Maria Machado, imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL), foi outra a desaprovar o livro:
- Custo a crer que seja exatamente isso que a notícia traz, descontextualizado. Se for, é um absurdo total. 

Equivale a pretender aceitar que dois mais dois possam ser cinco, com a "boa intenção" de derrubar preconceitos aritméticos. Para evitar a noção de "errado", prefere-se, então, esse paternalismo condescendente de não corrigir.

Para ela, pode haver "malabarismos linguísticos", mas dentro de um contexto: 

- Com isso, consolida-se outro conceito, o de "coitadinho", tão pernicioso e tão prejudicial ao pleno desenvolvimento dos cidadãos. É claro que qualquer um pode cometer todos os barbarismos linguísticos que quiser, mas deve saber que eles só se sustentam dentro de um contexto (um autor que reproduza a fala popular, por exemplo) e têm um preço social. 


Ela ressalta, porém, que a escola deve ajudar o cidadão a ser poliglota da própria língua: 

- A escola deve ajudar o cidadão a se tornar um poliglota em sua própria língua, capacitando-o a utilizar registros diversos de linguagem em circunstâncias diferentes. 

O professor Sérgio Nogueira também não concorda com o tratamento adotado nos livros distribuídos pelo MEC: 

- É um absurdo. O ensino já está tão ruim. Trata-se de um incentivo ao desvio da norma.
Acham que o aluno é incapaz de aprender concordância. Existem variantes na nossa língua. Só que todos terem de aceitar é uma outra história. 

Segundo o ministério, a escolha dos livros didáticos não passa pelo crivo dos gestores públicos. A indicação é feita por universidades a partir de ofertas das editoras em licitações públicas. As universidades fazem a seleção com base na análise de livros sem capa e sem identificação de origem. Com a indicação, os livros vão para o catálogo do ministério. Mas o livro só é comprado e distribuído se algum professor se interessar pelo texto e fizer o pedido ao Programa Nacional do Livro Didático.

Alunos copistas são a nova face do analfabetismo funcional, que chega a atingir um terço da população brasileira

Fonte: O Globo

Foi no 4º ano do fundamental que Vanderson Washington da Silva aprendeu a ler e a escrever. Até ali, o jovem morador de Duque de Caxias, Baixada Fluminense, era um aluno copista: só copiava no caderno o que via no quadro - letras que, para ele, foram por muito tempo desenhos sem significado. O problema dos alunos copistas é um exemplo recente do analfabetismo funcional, que no país atinge um terço da população. 

Dos que aprenderam a ler e escrever mais tarde, entre 9 e 14 anos - característica do copista -, só 13% se tornaram plenamente alfabetizados, apontam dados inéditos calculados pelo Instituto Paulo Montenegro a pedido do GLOBO, sobre jovens de 15 a 24 anos das nove principais regiões metropolitanas do país. 

Se a definição mais conhecida de analfabeto funcional é quem lê mas não interpreta um texto, com o copista é pior: como só copia, não sabe que o "a" que escreveu, por exemplo, é um "a".
A professora passava no quadro, eu copiava, copiava, mas não entendia nada, não

- São crianças que não se apropriam do significado das palavras. Mas vão galgando as séries porque, como copiam, conseguem cumprir algumas tarefas em sala - diz Marilene Proença, professora da USP e integrante da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional. 

Mostrando como o estudo sobre o copista é relativamente recente, é de 2007 uma das primeiras pesquisas sobre o tema, uma dissertação de Giuliana Temple na USP, orientada por Marilene Proença, com copistas da rede estadual paulista. O GLOBO teve contato com o problema dos copistas meses atrás, em reportagem sobre outro tema em Saracuruna, ao conversar com Marilene Silva, professora que coordena uma creche comunitária na área, a Santa Terezinha. Além de creche, ela oferece reforço gratuito a alunos da região. Foi lá que Vanderson se alfabetizou. 

- No colégio, a professora passava no quadro, eu copiava, copiava, mas não entendia nada, não - diz o menino, que sonha ser "dono de empresa".
"Chegam aqui sem conhecer o alfabeto"

Também recebem apoio na Santa Terezinha os irmãos Keteley e Erick do Nascimento, na mesma sala de reforço de Jéssica da Silva e Douglas Ribeiro. Estudam na região, no Ciep 318 e na Escola Municipal Marcílio Dias. 

- Na escola, estão em anos que seriam as antigas 1ª, 2ª, 3ª e 4ª séries. Chegam aqui sem conhecer o alfabeto. Às vezes, nem números - diz a aluna do ensino médio Cristiane Mattos, que, dando aula na Santa Terezinha, é a alfabetizadora das crianças.
No Piauí, Weldey Frankin, 14 anos, está matriculado no 3º ano do fundamental em Chapadinha Sul, zona rural de Teresina. Mas não sabe ler. Mudo, não passou por escola especial. Segundo a irmã, Amanda, "é ótimo desenhista". Desenha as letras dos livros. "Na hora de ele responder os exercícios, aponto as respostas no livro e ele copia", diz a irmã. 

- Já peguei um caderno de um aluno da 7ª série, de um colégio municipal de Porto Alegre, com tudo copiado corretamente. E ele não sabia ler. Era um artista! - conta Esther Grossi, ex-secretária de Educação de Porto Alegre e ex-deputada, presidente do Grupo de Estudos sobre Educação, Metodologia de Pesquisa e Ação (Geempa), que atua com correção de fluxo escolar.
- O aluno copista é forte candidato a ser um analfabeto funcional ao longo da vida - diz Ana Lúcia Lima, diretora-executiva do Instituto Paulo Montenegro, que desde 2001 calcula o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf). - Ele tem grande risco de se tornar o chamado alfabetizado rudimentar: reconhece algumas palavras, escreve um bilhete, dá um troco, e pronto. 

Dois dos principais motivos apontados para o analfabetismo funcional são alfabetização tardia e baixa escolaridade dos pais. Segundo dados inéditos do Instituto Paulo Montenegro, sobre jovens das Regiões Metropolitanas, entre os alfabetizados plenos, 90% aprenderam a ler até os 8 anos. Quando o pai ou a mãe tem o fundamental, cerca de 69% dos filhos são analfabetos funcionais ou alfabetizados em nível básico. Mas, quando o pai ou a mãe tem nível superior, até 75% são alfabetizados plenos.
O peso da educação dos pais na dos filhos é mostrado ainda por dados do Pnud sobre jovens na América Latina. Quando os pais têm nível secundário, os filhos têm 5,4% de chance de chegar à universidade; já quando os pais têm nível universitário, os filhos têm 71,6% de chance de ir à faculdade. O pai de Vanderson, Jorge Salindo, estudou até a antiga 5 série; teve de ir "trabalhar em obra para ajudar em casa". 

No caso do copista, haveria mais um motivo: um sistema de ciclos ou progressão continuada malfeito. Aí, o aluno, mesmo só copiando, avança nas séries sem repetir. São em escolas com ciclo - prática que se intensificou no país a partir dos anos 1990 - que estudavam os copistas do estudo da USP e os que precisam do reforço da Santa Terezinha. Marilene Proença diz que o ciclo "é política cara", que requer ações como reforço e contraturno. Para Esther Grossi, o copista "é um fenômeno dos ciclos". 

A Secretaria estadual de Educação de São Paulo informou que oferece "o Projeto Intensivo de Ciclo, que possibilita recuperação da aprendizagem de leitura e escrita por turmas especiais". Secretária de Educação de Duque de Caxias, Roseli Duarte diz que a rede tem um programa de apoio com contraturnos. 

- Não podemos aceitar a existência de alunos copistas. Mas os ciclos são uma resposta à repetência, que, além de levar à evasão, nos anos iniciais causa a distorção idade-série - diz a secretária de Educação Básica do Ministério da Educação, Maria do Pilar. - Temos de pensar é em ações como educação integral, que já há em 15 mil escolas, e em qualificar os professores de alfabetização, com projetos como o Pró-Letramento, que já atingiu 300 mil professores.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

SEMINÁRIO HISTÓRIA DO TEATRO NORDESTINO



Acontece no dia 01 de junho, às 20 horas, no Cabaré dos Novos do Teatro Vila Velha, o Seminário História do Teatro Nordestino.
Evento integrado ao projeto Outras Histórias, promovido pel’A Outra Companhia de Teatro e contemplado com o Prêmio FUNARTE de Teatro Myriam Muniz 2011 na categoria Circulação, o seminário visa discutir a história do teatro nordestino a partir a memória de artistas e do trabalho de pesquisadores de todos os estados da região.
Dividido em quatro etapas compostas de uma mesa cada, realizadas em Salvador, Natal, Recife e Fortaleza, o seminário contará com a participação de atores, diretores, técnicos e pesquisadores da história do teatro em cada um dos estados do nordeste. A cada mesa serão convidados representantes de três estados diferentes que apresentarão as peculiaridades do teatro de seus estados, pontos de semelhanças e diferenças dos fazeres de cada lugar, contando histórias e curiosidades, compondo um panorama das artes cênicas da região.
Além do seminário, o projeto conta ainda com a realização de oficinas, intervenções urbanas e apresentações do espetáculo Mar Me Quer oitava montagem d’A Outra Companhia. 
A entrada do evento é gratuita.
Este projeto foi contemplado com o Prêmio FUNARTE de Teatro Myriam Muniz 2011 – Circulação.

SERVIÇO:
O QUE? SEMINÁRIO HISTÓRIA DO TEATRO NORDESTINO
QUANDO? DIA 01 DE JUNHO, ÀS 20 HORAS
ONDE? CABARÉ DOS NOVOS DO TEATRO VILA VELHA
QUANTO? GRÁTIS


CONTATO: ROQUILDES JUNIOR (71) 8811-4081 / LUIZ ANTÔNIO JR. (71) 8849-9308 / aoutra@gmail.com
REALIZAÇÃO: A OUTRA COMPANHIA DE TEATRO / TEATRO VILA VELHA / FUNARTE

domingo, 8 de maio de 2011

O BRASIL VIVE UMA ILUSÃO DEMOCRÁTICA


Em decisão totalmente arbitrária ontem, o Supremo Tribunal Federal decretou sua legitimidade para a união civil gay e adoção de crianças por duplas gays. Arbitrária porque, embora essa seja a vontade patente do governo, da mídia esquerdista, da militância gay e do STF, não é a vontade do povo.
Não dava para decidir conforme o povo quer? Pesquisas no Brasil indicam que o povo fortemente rejeita essas imposições, inclusive adoção de crianças por duplas homossexuais.
Alguém certa vez disse que a melhor forma de governo é o “governo do povo, para o povo e sob Deus”.
Do povo? Se dependesse dos sentimentos, tradições e valores do povo, os ministros do STF teriam julgado com justiça, não com ideologia.
Para o povo? Se os ministros do STF se preocupassem com os sentimentos, tradições e valores do povo, teriam votado a favor do povo, não contra ele.
Sob Deus? Com Deus, é possível defender a justiça e resistir às tentações ideológicas e politicamente corretas. Sem Deus, tudo é possível.
O que o governo, mídia liberal e militância gay não conseguiram através do Congresso Nacional, devido à resistência do povo, conseguiram mediante suas majestades do STF, escolhidas em grande parte por suas majestades do PT, impor uma decisão que vai contra os sentimentos, tradições e valores do povo, sejam de proteção ao casamento natural ou às crianças.
Esqueça os sentimentos, tradições e valores do povo. Esse é o governo do PT, para o PT e sob o PT.
Essa imposição segue a tradição socialista soviética e nazista. Só para lembrar: o Partido Nazista era oficialmente o Partido dos Trabalhadores Nacional Socialista.
O povo que escolhe socialismo, come socialismo a força, seja por meio dos tribunais ou decretos imperiais.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

É FUNDAMENTAL A JUNÇÃO ENTRE EDUCAÇÃO INFORMAL E FORMAL

Depoimento: Marina Silva

A ambientalista fala sobre a importância de uma Educação não-formal rica e valorosa

 

Mesmo com acesso tardio aos estudos, Marina Silva conseguiu chegar à universidade

 

A Educação envolve um processo amplo, uma integração entre o que se aprende na família, com os amigos, na comunidade e nos diversos meios de informação e o que se aprende na escola, nos livros, com professores, de forma sistematizada. E é fundamental essa junção entre Educação informal e formal.

Tive o privilégio de ter uma Educação não-formal extremamente rica e valorosa.
Quando isso ocorre, quando se é adequadamente estimulado desde o princípio da vida, com certeza haverá uma boa relação com a Educação formal. Quando não se tem acesso a um letramento, a um conhecimento sistematizado, não significa que você não tenha conhecimento. Mas num mundo letrado, quem não passa pela Educação formal acaba ouvindo e percebendo o mundo pela metade. E uma das coisas que a Educação fez por mim foi ajudar a ampliar o meu olhar e a minha escuta. Aguçou em mim o desejo de aprender e o prazer de ensinar.

Mesmo com o acesso tardio aos estudos e com um aprendizado precário na educação básica, consegui entrar em uma universidade, onde encontrei bons professores. Já fiz duas pós-graduações e pretendo continuar estudando. Foi pela Educação formal que consegui sair de um situação de pobreza e de falta de oportunidades, para chegar a servir ao país em cargos como o de Senadora da República e Ministra de Estado.

Marina Silva é formada em História e pós-graduada em Psicopedagogia. Foi senadora e ministra do Meio Ambiente. Foi candidata à Presidência da República nas eleições de 2010

quarta-feira, 27 de abril de 2011

ROCCO LANÇA DOIS TÍTULOS DE MAURICE BLANCHOT

PublishNews - 27/04/2011 - Redação
O autor é romancista e crítico literário francês

A editora Rocco está lançando dois novos livros do romancista e crítico literário francês Maurice Blanchot, A parte do fogo (352 pp., R$ 46 – Trad. Ana Maria Scherer) e O espaço literário (304 pp., R$ 39,50 - Trad. Álvaro Cabral). No primeiro título, o autor questiona o que é a literatura e o que move os escritores a se dedicarem às letras com devoção, suor e sofrimento. Blanchot passeia pelas vidas e obras de Kafka, Baudelaire, Rimbaud, Sartre, Gide e outros homens que deram a vida pela palavra escrita. Já O espaço literário é um ensaio sobre literatura em que o escritor não se declara nem crítico, nem filósofo, nem teórico. Ele se afirma principalmente como “um homem que se interroga sobre a arte de escrever” e sobre “a escritura vista como cenário de uma experiência humana essencial”.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

A ANSIEDADE É O MAIOR PERIGO PARA UM ESCRITOR

Folha de S. Paulo - 23/04/2011 - Por Ana Paula Sousa
Autora de 19 livros de contos e quatro romances, Lygia Fagundes Telles cismou que seria escritora ainda menina. Diz, hoje, que a teimosia juvenil não rendeu boa escrita. "Para escrever, é preciso, antes, ler muito, criar parâmetros. A pressa faz muito mal ao escritor", afirma, referindo-se a si, mas também aos jovens autores contemporâneos. “Eles me parecem ainda mais ansiosos do que nós éramos. Ansiosos por escrever e por aparecer. E a ansiedade é o maior perigo para um escritor.”

quarta-feira, 20 de abril de 2011

MÚSICA CLÁSSICA E PERCUSSÃO VOCAL

Da criação de Kevin CO Olusola, a mistura de música clássica tocada com violoncelo e percussão vocal, foi perfeita. Mas se você não sabe, não vá não.

Assista o vídeo e deleite-se!

terça-feira, 19 de abril de 2011

CAMA LIVRO

BOOK BED

"Agora você pode, literalmente, enrolar-se nas páginas de um livro bom! Yusuke Suzuki fez esta cama com lençóis formando as páginas, e as almofadas servem como marcadores". Neatorama


Para aqueles que tem o costume de ler antes de dormir, agora poderá dormir neste ambiente literário. Além de ser uma forma lúdica de incentivar a leitura da criançada.

Este formato de livro está tão presente na cultara da humanidade de tal forma que é impossível pensarmos no fim do livro. Será que toda essa tecnologia emergente conseguirá extinguir as belas páginas palpáveis do livro de papel?

domingo, 17 de abril de 2011

FALANDO DE TI...

Por Rosival Evangelista


Eu poderia falar de ventos ou ventanias.

E falar de pesos e medidas.

De cara ou coroa, de versos e poesias.


Poderia falar de sussurros, de inquietações.

De pessoas boas e más.

E Poderia falar de vampiros, bruxas e magias.

Eu poderia falar de mundos, o meu o seu...
E de suas várias cores
Um preto, um branco ou até mesmo lilás.


Eu queria falar de perfumes, cheiros, aromas

Poderia falar de incertezas, de buscas,

E de amor com todos os seus sintomas
Poderia falar de seus olhos, o brilho que deles emana


E falaria de seu sorriso que me encanta

Poderia falar de músicas, de TV e filmes

Poderia falar de seus sentimentos e de sua vida privada

Mas nada disso importa...

Descobri que palavras para quem não quer ouvir

Às vezes não dizem nada.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

PARA LER NO BANHEIRO

Blue Bus - 13/04/2011 - Por Debora Schach

E se a embalagem do purificador de ar viesse com o trecho de um livro?

Na falta de um livro, as pessoas geralmente recorrem a qualquer objeto que esteja à mao para ler no banheiro. Pensando nisso, e querendo incentivar o hábito da leitura, a rede de livrarias '100 000 books', da Rússia, imprimiu trechos de best-sellers em purificadores de ar e espalhou os produtos em banheiros de shoppings, escritórios e restaurantes A açao fez tanto sucesso que a empresa agora decidiu vender os purificadores nas suas lojas.
 

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Eu já havia pensado nisso há muito tempo...quando eu falo dão risada. Mas a coisa é séria. Parabéns a 100.000 Books, espero que essa ideia chegue logo ao Brasil.

terça-feira, 12 de abril de 2011

O ASSALTO

Crônica por Carlos Drummond de Andrade

Na feira, a gorda senhora protestou a altos brados contra o preço do chuchu:
 
— Isto é um assalto!
Houve um rebuliço. Os que estavam perto fugiram. Alguém, correndo, foi chamar o guarda. Um minuto depois, a rua inteira, atravancada, mas provida de um admirável serviço de comunicação espontânea, sabia que se estava perpetrando um assalto ao banco. Mas que banco? Havia banco naquela rua? Evidente que sim, pois do contrário como poderia ser assaltado?

— Um assalto! Um assalto! — a senhora continuava a exclamar, e quem não tinha escutado, escutou, multiplicando a notícia. Aquela voz subindo do mar de barracas e legumes era como a própria sirena policial, documentando, por seu uivo, a ocorrência grave, que fatalmente se estaria consumando ali, na claridade do dia, sem que ninguém pudesse evitá-la.

Moleques de carrinho corriam em todas as direções, atropelando-se uns aos outros. Queriam salvar as mercadorias que transportavam. Não era o instinto de propriedade que os impelia. Sentiam-se responsáveis pelo transporte. E no atropelo da fuga, pacotes rasgavam-se, melancias rolavam, tomates esborrachavam-se no asfalto. Se a fruta cai no chão, já não é de ninguém; é de qualquer um, inclusive do transportador. Em ocasiões de assalto, quem é que vai reclamar uma penca de bananas meio amassadas?

— Olha o assalto! Tem um assalto ali adiante!

O ônibus na rua transversal parou para assun tar. Passageiros ergueram-se, puseram o nariz para fora. Não se via nada. O motorista desceu, desceu o trocador, um passageiro advertiu:

— No que você vai a fim do assalto, eles assaltam sua caixa.
Ele nem escutou. Então os passageiros também acharam de bom alvitre abandonar o veículo, na ânsia de saber, que vem movendo o homem, desde a idade da pedra até a idade do módulo lunar.
Outros ônibus pararam, a rua entupiu.

— Melhor. Todas as ruas estão bloqueadas. Assim eles não podem dar no pé.
 
— É uma mulher que chefia o bando!
 
— Já sei. A tal dondoca loira.
 
— A loura assalta em São Paulo. Aqui é morena.
 
— Uma gorda. Está de metralhadora. Eu vi.
 
— Minha Nossa Senhora, o mundo está virado!
 
— Vai ver que está caçando é marido.
 
— Não brinca numa hora dessas. Olha aí sangue escorrendo!
 
— Sangue nada, é tomate.
 
Na confusão, circularam notícias diversas. O assalto fora a uma joalheria, as vitrinas tinham sido esmigalhadas a bala. E havia jóias pelo chão, braceletes, relógios. O que os bandidos não levaram, na pressa, era agora objeto de saque popular. Morreram no mínimo duas pessoas, e três estavam gravemente feridas.

Barracas derrubadas assinalavam o ímpeto da convulsão coletiva. Era preciso abrir caminho a todo custo. No rumo do assalto, para ver, e no rumo contrário, para escapar. Os grupos divergentes chocavam-se, e às vezes trocavam de direção; quem fugia dava marcha à ré, quem queria espiar era arrastado pela massa oposta. Os edifícios de apartamentos tinham fechado suas portas, logo que o primeiro foi invadido por pessoas que pretendiam, ao mesmo tempo, salvar o pêlo e contemplar lá de cima. Janelas e balcões apinhados de moradores, que gritavam:

 
— Pega! Pega! Correu pra lá!
 
— Olha ela ali!
 
— Eles entraram na Kombi ali adiante!
 
— É um mascarado! Não, são dois mascarados!
 
Ouviu-se nitidamente o pipocar de uma metralhadora, a pequena distância. Foi um deitar-no-chão geral, e como não havia espaço uns caíam por cima de outros. Cessou o ruído, Voltou. Que assalto era esse, dilatado no tempo, repetido, confuso?

— Olha o diabo daquele escurinho tocando matraca! E a gente com dor-de-barriga, pensando que era metralhadora!
 
Caíram em cima do garoto, que sorveteu na multidão. A senhora gorda apareceu, muito vermelha, protestando sempre:
 
— É um assalto! Chuchu por aquele preço é um verdadeiro assalto!

DRAMATIZAÇÃO: VARIAÇÃO LINGUÍSTICA

A dramatização abaixo foi apresentada pelos colegas da faculdade sobre a variação linguística. Achei muito bem bolada, criativa e levanta uma discussão importantíssima acerca do respeito mútuo quanto às variações existente dentro de uma mesma língua portuguesa.

Aproveito para indicar a leitura, na íntegra, do livro do linguísta Marcos Bagno: Preconceito Linguísitico o que é, como se faz. Bagno aborda a inclusão social, por meio do não preconceito com os diversos falares presentes no país, inclusive o respeito quanto à diversidade cultural brasileira.

DRAMATIZAÇÃO

Por: Alécia Nunes, Ana Carla, Maurício Lima, Moisés Carneiro, Moisés Fiúza

Patativa - Gud moringa! Ou gud moring! Bão jú! Beiju ou Bujudo! Eita língua istranha sô! Tinha uns homão e umas muier caneludas, pálida que nem vela lá fora, acho que nunca viram o sorzão do sertão. Eles passavam pur mim e me cumprimentava assim, eu num intindia nada, mas, pela rivirência cum a cabeça paricia que era bão dia. sabe lá!

Ops! Perdão, Bão dia prefessor! Me adiscurpa o atrazo. É que a muier se isquiceu de botar o galo de quarto pra cantar num sabe?  Ô Rosarva abestada, tem medo do bicho de ferro.

Professor- Em primeiro lugar é bom dia e não bão dia! E não é prefessor, e sim professor, e tem mais, a mulher esqueceu-se de programar o despertador para alarmar.

Pat – Oia que cuincidencia! A sua também se isquiceu foi?

Prof– Ai meu Deus! Patativa... Patativa... O Senhor deveria acordar antes do galo cantar, pois, não sabes que o todo poderoso presta assistência aos que antes da ocasião própria levantam da cama ao alvorecer?

Pat – O prefessor fala istranho Né pessoá? Ah prefessor eu posso dizer isso mió intendido que o sinhor.  Oia o rudeio qui ele fez pra mo´de dizer; Patativa o sinhor num sabe que Deus ajuda a quem cedo madruga? Lá na roça a gente acordemo cum as galinha tacudo. E nem pricisa muier botar galo de quarto pra cantar. Quer insinar missa a vigário é? Ara sô!

Fiuza - É mesmo profissa! Quem Pinota cedo da cama, o mano lá de cima ajuda, é bem mais fácil de se arrumar nas idéias do que esse rolé que o senhor deu ai com as palavras.  Desse jeito o profissa parece até um almofadinha falando.

Ana Carla – Pô meu! Então a piriguete aqui tá na bruxa! Só acordo tarde. Vocês ainda entenderam esse troço, e eu que não captei nada que o gostosão ai falou.

Álecia – Você nunca entende nada mesmo. Mas no baile funk tu se liga nas letras tudo. Né não? Só as cachorras uuuuu, as preparadas uuuuu.

Ana Carla – Oia pra essa daí oia! Doida pra cair na dança com o professor. Eu tô ligada em você. Você quer me atravessar, mas, o professor já tá na mira. Se saia viu?

Prof – Calma lá pessoal! Não sejam presunçosos. Cada espécime dos primatas deve permanecer na subdivisão do caule de uma árvore ou arbusto que lhe pertencem. Eu sou o mestre e vocês são apenas alunos. Devem me escutar e me respeitar.
Pat – Ô cabra marrento! O sinhor num rispeita meu falar e inda fica ai Cheio de trimiliques pra dizer o ditado mais populoso do sertão. O dito cujo, Cada macaco no seu gaio. Cuidado pra num cair do seu hein? Ele tá muito arto. Ê nariz impinado. 

Fiuza – É isso ai profissa! Cada pivete na sua parada e as mamães continuam a sorrir numa boa. Se ligou na letra?


Ana Carla– É isso ai Teacher! Cada nega com seu nego e eu não quebro dente e nem desarrumo cabelo de nenhuma piranha. Sentiu o drama? Não? Faço você sentir depois da aula se quiser.

Álecia – Sai pra lá piriguetona oferecida! Que o professor não vai querer nada com você. Não é querido mestre?

Prof- Oh my God! Cada indivíduo cujo comportamento ou raciocínio denota alterações patológicas das faculdades mentais cultiva seus hábitos peculiares e obsessivos. Fazer o quê diante deste quadro?

Pat – Eita mania de infeitar e dá vortas pra falar um simpres povérbio popular. Cada louco cum suas mania. Sabe prefessor vou te dizer umas lera reá também. Iscuita só:



*Sem lábia formal, mas cum sabiduria
me faço intindido im todas região
inquanto que tu com tal maestria
de grama dramática, mas sem poesia
num quis me intendê aqui neste salão. 

Agora me arretiro e deixo verdades
Cunosco eu sei, que tu té pudia
fundi as linguage em pasto mió
Formal e informal, sem ter bestêró
E variar tudo em trocêra de nó.

Língua brasileira seu peste sem cabra
Rural, urbana, palácio ou chupana
Indígina, gringas em roças de cana
Do império a Husself ou Lulalalá
Não julga-se o bem nem o seu má falá.
                                   *Por: Moisés Carneiro

Mas de uma coisa eu sei. Falta poisia in teu mode de insiná.

Ô Minha Cumade Ana! O que o poeta da roça tem pra prosiá?

ANA - O POETA DA ROÇA? - Ele diz o seguinte:

Sou fio das mata, cantô da mão grossa,
Trabáio na roça, de inverno e de estio.
A minha chupana é tapada de barro,
Só fumo cigarro de páia de mío.

Sou poeta das brenha, não faço o papé
De argum menestré, ou errante cantô
Que veve vagando, com sua viola,
Cantando, pachola, à percura de amô.

Não tenho sabença, pois nunca estudei,
Apenas eu sei o meu nome assiná.
Meu pai, coitadinho! vivia sem cobre,
E o fio do pobre não pode istudá.

Meu verso rastêro, singelo e sem graça,
Não entra na praça, no rico salão,
Meu verso só entra no campo e na roça
Nas pobre paioça, da serra ao sertão.

Só canto o buliço da vida apertada,
Da lida pesada, das roça e dos eito.
E às vez, recordando a feliz mocidade,
Canto uma sodade que mora em meu peito.

Eu canto o cabôco com sua caçada,
Nas noite assombrada que tudo apavora,
Por dentro da mata, com tanta corage
Topando as visage chamada caipora.

Eu canto o vaquêro vestido de côro,
Brigando com o tôro no mato fechado
Que pega na ponta do brabo novio,
Ganhando lugio do dono do gado.

Eu canto o mendigo de sujo farrapo,
Coberto de trapo e mochila na mão,
Que chora pedindo o socorro dos home,
E tomba de fome, sem casa e sem pão.

E assim, sem cobiça dos cofre luzente,
Eu vivo contente e feliz com a sorte,
Morando no campo, sem vê a cidade,
Cantando as verdade das coisa do Norte.

(ASSARÉ, Patativa do. Cante lá que eu canto cá. 3 ed. Petrópolis: Vozes, 1980)

sexta-feira, 1 de abril de 2011

PROGRAMA VAI MOSTRAR VIDA E OBRA DE FERNANDO PESSOA DE FORMA INÉDITA

O Espaço Aberto Literatura é nesta sexta-feira (1), às 21h30.

O próximo Espaço Aberto Literatura vai mostrar a vida e obra de Fernando Pessoa, um dos maiores poetas da história da língua portuguesa, de uma forma como você nunca ouviu nem viu.

“Fernando Pessoa era um escritor sem imaginação”, que se baseava em características de amigos, parentes e conhecidos para compor seus personagens. Esta é uma das polêmicas afirmativas do escritor e advogado José Paulo Cavalcanti Filho, autor do livro "Fernando Pessoa, uma quase autobiografia". Ele passou cerca de dez anos entre Brasil e Portugal, pesquisando a vida do grande poeta português.


Cavalcanti Filho revela que Pessoa era tremendamente vaidoso, a ponto de só fazer suas roupas no melhor alfaiate de Lisboa, embora ganhasse pouco e vivesse sempre com dívidas. A principal novidade do livro é a descoberta de mais 55 heterônimos, além dos quase 80 que já eram de conhecimento público. O Espaço Aberto Literatura desta semana, gravado na recém-inaugurada exposição “Fernando Pessoa – plural como o universo”, em cartaz no Rio de Janeiro, traz ainda depoimentos de Carlos Felipe Moisés e Richard Zenith, especialistas e curadores da mostra. O programa é nesta sexta-feira (1), às 21h30

Fonte: GloboNews